2016, o início do fim

Difamado por razões diversas, que vão da crise política-econômica nacional à tragédias como a da Chapecoense, passando ainda pelo drama de Aleppo, o ano de 2016 será lembrado também pela morte de personalidades da música (David Bowie e Leonard Cohen), do cinema (Hector Babenco e Carrie Fisher), do esporte (Mohammad Ali) etc.

Como diria o outro, todo dia morre alguém que não havia morrido antes. E assim sempre será. Então, por que será que neste ano, especificamente, o público parece mais assustado com a morte de personalidades, considerando que a cada ano muitas delas  partem desta para melhor?

Bem… Se alguém tem alguma conta a apresentar, provando que 2016 é um ano recordista nesse (triste) sentido, eis que uma constatação realista vai surgir imediamente depois: 2017, 2018 e, assim por diante, têm tudo para repetir ou, no mínimo, tornar-se bem semelhante ao que vimos em 2016.

Infelizmente, estamos vivendo o fim de uma era. Os heróis de gerações que começaram a brilhar a partir dos anos 60, seja na música, no cinema, no esporte ou outro segmento,  como a literatura, estão hoje com idades que beiram os 70 anos ou até mesmo superam os 80.

David Bowie, um gênio, partiu aos 69.

Johan Cruyff foi-se aos 68, enquanto Mohammad Ali morreu aos 74.

Leonard Cohen deixou-nos aos 82.

A fatalidade (ou outra explicação – depende de cada caso) abrevia a vida de outros, casos de Prince (58 anos) e George Michael (53). Estes, no caso, são pontos fora da curva quanto ao tema central deste artigo, cujo foco é, efetivamente, o fim de uma geração.

Algumas personalidades chegam aos 70, poucas superam os 80.

Como muitos dos famosos são multimilionários, eles têm a faca e o queijo na mão para se cuidar da melhor forma possível. A serviço deles podem estar os mais renomados médicos, nutricionistas, educadores físicos etc. etc. etc.

Mick Jagger tem 73 anos. Parece se cuidar muito bem desde os anos 80.

Keith Richards, também com 73, vende até hoje a imagem de maluco bad trip do rock, daí o bolão sobre a morte dele estar aberto já há alguns anos. E ele vem driblando todas as apostas.

David Bowie morreu em 2016, aos 69 anos
David Bowie morreu em 2016, aos 69 anos

Fato é que nossos heróis pós-beatniks estão na fila do tempo.

Rick Parfitt, o guitarrista, vocalista e cabeça do Status Quo, morreu na véspera deste Natal, aos 68. E a tendência é de que a contagem  adentre 2017 e, pela ordem natural da vida, prossiga a todo galope.

Os sobreviventes dos Beatles, o prêmio Nobel Bob Dylan, as legendas do Led Zeppelin, os ícones do Kiss, do Sabbath, do Purple, do Kinks, dos Byrds, dos Beach Boys… Caetano, Gil, Chico, Milton, Pelé, Roberto Carlos…

O tempo não para.

O tempo passa para todos.

Para todos.

Preparemo-nos, pois, para assistir aos novos capítulos deste fim de era.

Nesse aspecto, 2016 talvez será lembrado apenas como o início deste epílogo.

Mohammad Ali, ex-Cassius Clay, morreu aos 74 anos neste 2016
Mohammad Ali, ex-Cassius Clay, morreu aos 74 anos neste 2016
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