2016, uma odisseia mineira

No Centro de Microscopia da UFMG há uma novidade que parece até um tipo de satélite ou nave dos clássicos filmes de ficção científica espacial, como “2001, Uma Odisseia no Espaço”. Fantasias à parte, trata-se de um microscópio de tunelamento em ultra-auto-vácuo, um equipamento capaz de executar uma técnica inédita no país, a Ballistic Electron Emission Microscopy (BEEM). Em suma, possibilita preparar e enxergar sistemas nanométricos.

A nanotecnologia é o estudo de manipulação da matéria numa escala atômica e molecular. Um nanômetro (ou milimicro) é a subunidade do metro, correspondente a um milionésimo de milímetro ou um bilionésimo do metro. O símbolo da unidade é nm.

Obtida na sexta-feira 30 de setembro, no Centro de Microscopia da UFMG, uma imagem de dimensões 8nm por 8nm, com resolução atômica da superfície de um cristal de silício (111), marcou o início de funcionamento do novo microscópio.

A utilização do equipamento é relevante sobretudo para a nanoeletrônica, nas áreas que se valem de dispositivos e materiais semicondutores, usados na fabricação de circuitos integrados.

O microscópio chegou ao Brasil no início do ano e, depois de montado por equipe de pesquisadores, está pronto para operar.

“A imagem obtida para qualificação do instrumento confirma que ele está em condições ótimas de operação”, comentou o professor Gilberto Medeiros Ribeiro, do Departamento de Física da UFMG. Medeiros coordenou a desmontagem e a remontagem, com o diretor do Centro de Microscopia, Wagner Nunes Rodrigues, também do Departamento de Física.

Imagem de dimensões 8nm por 8nm obtida pelo equipamento
Imagem de dimensões 8nm por 8nm obtida pelo equipamento
Palo Alto, no Vale do Silício, onde os pesquisadores da UFMG foram buscar o microscópio doado pela Hewlett-Packard Company
Palo Alto, no Vale do Silício, onde os pesquisadores da UFMG foram buscar o microscópio doado pela Hewlett-Packard Company

Vale do Silício

Medeiros explica que o microscópio, doado à UFMG pela Hewlett-Packard Company (HP), havia sido adquirido pela empresa há cerca de 20 anos, mas sempre se manteve no estado da arte, em razão da permanente substituição de peças.

“Fomos buscá-lo no Vale do Silício, em Palo Alto, e o colocamos em funcionamento. A partir de agora, ele faz parte dos equipamentos multiusuários do Centro de Microscopia, que são utilizados por pesquisadores de inúmeras instituições do Brasil e de outros países”, complemente Wagner Rodrigues, diretor do Centro de Microscopia.

Rorigues ressalta que a incorporação do equipamento “reforça a vocação do Centro de atuar como centro multiusuário, na fronteira do conhecimento”.

Convênio

A UFMG está entre as principais instituições do país quando o assunto é pesquisa na nanociência. Em abril passado, o Laboratório de Pesquisa da IBM Brasil e o Laboratório de Nanoespectroscopia da universidade mineira (LabNS/UFMG) fecharam um convênio de cooperação para estudo conjunto de nanociência e nanotecnologia no Brasil.

O principal objetivo da parceria é investigar novos materiais, conceitos de dispositivos e métodos de medição em nanoescala (escala molecular) para o desenvolvimento científico e tecnológico de futuras aplicações industriais em recursos naturais, especialmente, na área de óleo e gás.

(Com Agência UFMG)

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