A má qualidade da água influencia o preço de imóveis

Escrevi este texto por sugestão de uma leitora que gostaria de saber se há uma relação da qualidade da água de rios e lagoas com o preço dos imóveis nas redondezas.

Não há muitos estudos quantificando os efeitos de uma boa ou uma má qualidade da água nos valores de imóveis, mas podemos imaginar que há mesmo uma conexão.

As populações humanas se concentram em locais ricos em água pela necessidade de consumir esse recurso, mas também pelas belas paisagens, pelo lazer, pelas práticas de esportes e por outros tipos de usos. Assim, a concorrência por espaço é maior e resulta em valorização dos imóveis.

Entretanto, quando o corpo de água encontra-se degradado, muitas dessas atividades são inviáveis, a população tende a desistir de residir no entorno e ocorre desvalorização dos imóveis.

Como exemplo, menciono um estudo feito na Flórida, nos Estados Unidos, que avaliou como os preços de imóveis eram relacionados com a qualidade da água de lagos ou rios próximos. Foi verificado que ambientes poluídos resultavam em queda nos preços de imóveis próximos. Ainda mais importante, foi observado que a recuperação de ambientes anteriormente poluídos causava grande valorização dos imóveis.

Assim, a poluição da água prejudica não somente seres aquáticos, mas gera grandes prejuízos econômicos que vão da perda de uma possível fonte de água até prejuízos no turismo e quedas nos valores de dezenas ou centenas de imóveis do entorno.

Geralmente, a queda de preço ocorre devido aos aspectos mais perceptíveis da degradação, que seriam as mudanças de coloração da água, a queda de transparência e o mau cheiro, por exemplo. Assim, não era necessário que um especialista atestasse a má qualidade da água, mas os próprios possíveis compradores deixavam de se interessar pelos locais devido à simples observação direta dessas características.

Mais especificamente no caso da Lagoa da Pampulha, uma reportagem de um jornal de ampla divulgação em Minas Gerais tratou desse tema em 2013, mostrando que na Grande BH os imóveis próximos a corpos de água de boa qualidade eram mais valorizados e aqueles perto da Pampulha eram desvalorizados devido à sua poluição.

As imobiliárias mostravam que a venda de imóveis em torno da Lagoa dos Ingleses e de Lagoa Santa eram muito mais rápidas do que aquelas no entorno da Lagoa da Pampulha. E isso ocorria mesmo com os imóveis dessas duas lagoas menos poluídas apresentando valor mais alto por metro quadrado do que os imóveis no entorno da Pampulha.

Assim, os gestores públicos e a população deveriam ser beneficiados pelas pesquisas e trabalhos de restauração da qualidade da água na Lagoa da Pampulha.

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