A Pampulha e a UFMG

Quando pensamos na região hoje conhecida como Pampulha, o que vem à nossa mente? A Lagoa, a Igrejinha, a Casa do Baile, o Mineirão, o zoológico etc. São tantos lugares, monumentos, parques, que fica difícil mencionar tudo, não é mesmo?

Se fizéssemos uma pesquisa, entre os cidadãos de BH, para eleger qual é o maior símbolo da Pampulha, certamente essa seria uma eleição com resultado imprevisível!

E quando pensamos na degradação e no descaso que a Lagoa da Pampulha sofre hoje, a quem imputaríamos a maior responsabilidade por essa situação? Os candidatos aqui seriam certamente as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem, a Copasa, a expansão desordenada que a Região Norte da cidade sofreu etc.

Algumas pessoas mencionariam até mesmo a falta de consciência dos cidadãos. Muitos outros fatores deveriam ser mencionados. Aqui também é muito difícil selecionar quem seria o maior responsável pelo descaso e degradação de toda a  região da Pampulha.

É fato que provavelmente a UFMG e o seu campus certamente não seriam contemplados em nenhuma dessas duas enquetes mencionadas acima. E não por acaso. Embora o campus da UFMG esteja localizado a menos de dois quilômetros da lagoa, a vida, as diversas atividades da universidade e mesmo grande parte dos efluentes líquidos pouco têm a ver com a represa da Pampulha.

Um ponto importantíssimo que deve ser mencionado é que a história da UFMG tem muito a ver com o projeto da construção da Pampulha. Ainda na década de 40, foi incorporada ao patrimônio territorial da universidade uma extensa área, na região da Pampulha, para a construção da Cidade Universitária. Os primeiros prédios erguidos aonde é hoje o campus Pampulha foram o do Instituto de Mecânica (atual Colégio Técnico) e o da Reitoria.

É evidente que os gestores públicos do estado não colocaram o seu campus na  Pampulha por acaso. A ida da UFMG para a Pampulha foi concebida para complementar um projeto urbanístico único e inovador no país até então. Ao longo das últimas décadas, eu, como estudioso da Pampulha, noto que existe uma grande desconexão entre a UFMG e a Lagoa da Pampulha, mesmo considerando a grande proximidade entre elas.

Eu acho interessante notar que, pelo menos na visão da grande maioria das pessoas com as quais eu tenho trabalhado ou lutado pela recuperação da Lagoa da Pampulha, raramente a UFMG é mencionada como uma instituição que tem uma relação próxima com a Pampulha.

É evidente que existem dezenas de professores e pesquisadores da UFMG que têm dedicado boa parte de suas pesquisas e atividades de ensino à diversos aspectos relacionados à Pampulha e, dentre eles, eu me incluo. Entretanto, o papel institucional da universidade em relação ao mais novo patrimônio da Unesco pode ser considerando desprezível.

Essa postura contrasta muito com o papel que várias universidades, mundo afora, desempenham em relação aos lagos e demais patrimônios naturais que cercam essas instituições. Lago Biwa, no Japão; Lago de Constança, na Alemanha/Suiça/Áustria; Lago Maggiore, na Itália; e Lago Washington, nos EUA, são alguns exemplos notórios. Em todos os casos citados, grandes universidades mantêm centros de pesquisa e ensino às suas margens, recheados de professores, alunos, projetos e centenas de iniciativas de toda ordem.

Acredito que é chegada a hora de a UFMG reverter esse descaso histórico. A criação do centro de pesquisas multidisciplinares da UFMG voltado à Pampulha é um sonho antigo de muitos docentes da universidade. Eu mesmo já propus um plano nesse sentido há alguns anos à UFMG-FUNDEP, sendo que vários imóveis na Pampulha foram sugeridos para abrigar o centro.

Nesse sentido, é muito importante que a sociedade cobre do Conselho Universitário da UFMG um posicionamento claro em relação ao assunto.

468 ad