A Pampulha e o verde

Os belohorizontinos têm o maior apreço e orgulho pela Pampulha e os seus arredores. Ainda mais agora, com a região recebendo o título de patrimônio cultural da Unesco. É bem verdade que essa e outras administrações municipais tenham contribuído para melhorar não somente a qualidade da água da Pampulha, mas também fazendo grandes investimentos em saneamento e revitalização da orla da represa. Entretanto, nem tudo é um mar de rosas!

A Pampulha ainda sofre com graves problemas ambientais, alguns dos quais poderiam ser facilmente resolvidos ou mitigados. Dentre eles, menciono a questão do lixo que chega à represa todos os dias via tributários; a recomposição da vegetação das margens da represa ou a questão do tráfego pesado na orla da represa.

Hoje, eu gostaria de tocar no assunto da arborização das ruas e vias na região da Pampulha. Vamos dar um passeio, por exemplo, no bairro Ouro Preto. Ali, podemos facilmente constatar dois problemas crônicos: (a) a poda das árvores feita pela concessionária de energia e (b) a falta de recomposição das árvores que morreram, foram arrancadas ou mesmo nunca foram plantadas ao longo das vias daquele bairro. O resultado é um cenário desolador.

O exemplo do bairro Ouro Preto pode ser extrapolado para quase todos os outros bairros da região. A poda das árvores pela concessionária de energia é algo que deveria merecer uma atenção mais profissional dessa companhia. As árvores não são podadas, elas são simplesmente mutiladas. É claro que existem casos de algumas árvores que realmente põem em perigo a rede elétrica. Elas deveriam ser prontamente substituídas por outras menos agressivas ou simplesmente deveria ser feito o replantio com outras árvores do lado oposto à rede elétrica, por exemplo. Em suma, podemos constatar que o serviço prestado por essa companhia não está bom. É hora de protestar!

Outra questão é a completa ausência de arborização na maioria das ruas dos bairros que cercam a Pampulha, principalmente aqueles onde moram pessoas com menor poder aquisitivo. Esse problema alastra-se por algumas avenidas importantes, tais como a Pedro II, a Catalão e outras vias importantes da região. Todos sabemos que há um aumento global das temperaturas e que as árvores, além de fornecer o oxigênio, provém um outro “serviço ecológico” da maior relevência: a evapotranspiração.

Ao realizarem a fotossíntese, as suas folhas precisam de exalar importantes quantidades de vapor de água o que as torna verdadeiros aparelhos de ar condicionado. A evapotranspiração da vegetação urbana pode mitigar – de modo significativo – as altas temperaturas que temos que enfrentar em nosso dia-a-dia. É hora de protestar contra esse descaso também!

É impressionante constatarmos que tanto as concessionárias quanto as repartições públicas que deveriam prestar esses importantes serviços ambientais à população são ineptas e se calam quando delas é exigido apenas o mínimo: cumprir com as suas obrigações contratuais! Está na hora de sair do gabinete (refrigerado), tomar menos cafezinho em intermináveis reuniões, e colocar a mão na massa!

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