A praça das aves

Quem visita o Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, na Pampulha, depara-se com muitas áreas verdes e recantos propícios ao descanso ou ao lazer com a família e com os amigos. Um desses locais é a Praça das Aves, um complexo composto por 45 recintos que abrigam 67 espécies de aves nacionais e exóticas, sendo mais de 50% delas ameaçadas de extinção.

A Praça das Aves é o lar de mutuns, ararajubas, araras-canindés, araras-vermelhas, tucanos, harpias, turacos, tiribas, corujas, grous-coroados, pavões, socós, gaviões, papagaios, jandaias e muitas outras espécies que chamam a atenção não só pelas cores vivas das plumagens e pelo porte imponente, mas também pela intensidade e diversidade de sua vocalização.

O visitante pode conhecer animais dos cinco continentes sem ter que se deslocar por grandes distâncias. Lá é possível ver o casuar, uma ave de grande porte encontrada nas florestas da Nova Guiné e da Austrália, que possui uma grande crista óssea na fronte, patas com três dedos, e cabeça e pescoço nus, de cor azul ou púrpura.

O público ainda pode se encantar com a beleza dos pavões machos que, com sua cauda aberta em leque, cortejam as fêmeas em um espetáculo à parte. Durante a visita também é possível se surpreender com a envergadura das asas de uma harpia, a ave rapineira mais forte do mundo, que ocorre do México à Bolívia, na Argentina e em grande parte do Brasil, sendo atualmente encontrada na região amazônica.

De acordo com a chefe da Seção de Aves da Fundação, a bióloga Márcia Procópio Magalhães, a Praça das Aves é um convite à contemplação e também ao conhecimento. “O local nos permite conhecer a diversidade das espécies. É importante manter esses indivíduos nas melhores condições, preservando o que há de mais admirável e grandioso, que é o comportamento silvestre. Todos os dias aprendemos com elas e vibramos quando a força da natureza se manifesta a cada nova vida que surge”, afirma.

Casuar, ave de grande porte encontrada na Nova Guiné e na Austrália
Casuar, ave de grande porte encontrada na Nova Guiné e na Austrália

A bióloga completa: “Com o olhar na conservação estamos sempre abrigando aves que não podem mais retornar a seu habitat e que, na maior parte das vezes, já estão em extinção. No entanto, com determinação e perseverança tentamos dar a elas condições para prosseguir e cumprir o ciclo biológico”.

Vivência de muitos anos

As araras e papagaios surgem em grande variedade e cores. São animais que, pela própria sensibilidade a ruídos e vozes, costumam se agitar bastante e emitir vocalizações específicas. Muitos deles adoram interagir com os visitantes, mas geralmente continuam a guardar as características de um animal silvestre, como afirma o tratador de animais Amarildo Martins Pedrosa.

Com a experiência de quem trabalha há 34 anos no Jardim Zoológico de Belo Horizonte, sendo mais de 30 anos somente na Seção de Aves, Amarildo revela que todas as aves do Zoo precisam de atenção especial durante a execução das rotinas de trabalho. “É bom lembrar que as aves não se acostumam com as pessoas, nem mesmo com quem lida todos os dias com elas. Essas aves podem, inesperadamente, reagir e atacar quando se sentem ameaçadas. Por isso, temos que ter muita atenção ao comportamento desses animais. Na época da reprodução, por exemplo, elas ficam ainda mais agitadas”.

Exatamente por manter essa característica mais selvagem, Amarildo não esconde sua preferência pelos gaviões. “Gosto de todas as aves, mas me identifico mais com os gaviões, pois você sente quando eles não estão bem. Essa característica me agrada bastante”, diz. Em seu dia a dia na Praça, Amarildo recebe um retorno bastante positivo dos visitantes. “As famílias elogiam bastante dizendo que é um lugar muito bonito, muito bem cuidado. Isso é importante para nós”.

No que diz respeito ao nascimento de filhotes, o tratador não esconde sua satisfação. “Quando acompanhei o nascimento de um avestruz pela primeira vez foi emocionante! Depois disso já vi muitos nascimentos, como de emas, mutus, guarás, e continuo achando isso muito interessante”, revela.

Estudantes do curso de ciências biológicas da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), Raíssa Gabriela Medeiros Faltz e Thiago Costa Amaro estiveram na Fundação nesta semana e deram sua opinião sobre a Praça das Aves. Para Raíssa, a reforma feita no local melhorou bastante as condições de visita para o público. “Gosto de aves. Elas são muito atrativas por causa de suas cores, mas o mais interessante é poder conhecer esses animais de perto. É um aprendizado, pois aqui conseguimos observar as aves com atenção”, destaca.

Uma das espécies de coruja da Praça das Aves
Uma das espécies de coruja da Praça das Aves

Thiago concorda com a colega de turma e afirma que aprecia bastante as aves corredoras. “Gosto de aves grandes, como a ema e o avestruz. Há anos que eu não vinha aqui. Acho que o lugar ficou bacana, mais acessível depois dessa reforma”.

É por essas e outras que a Praça das Aves é um dos lugares mais procurados pelo público do Jardim Zoológico e ainda um espaço ideal para a realização de atividades de educação ambiental. No mês passado, por exemplo, a praça serviu de cenário para a apresentação de informações relacionadas à Campanha Latino-Americana contra o Tráfico de Espécies Silvestres, já que o grupo das aves é um dos que mais sofrem com as atividades ilegais do tráfico. Além disso, em loco é possível observar várias aves que vieram de apreensões.

Reforma e ambientação

A Praça das Aves passou por uma ampla reforma, que foi realizada em duas etapas e consistiu na reconstrução de lagos artificiais; troca das telas de proteção; construção de banheiros e vestiários masculino e feminino; retirada dos ninhos de madeira fixados na parede; melhoria do sistema de ventilação; readequação geral das redes hidráulica e de esgoto. Também houve a ampliação de alguns recintos; rebaixamento e reconstrução de piso; revitalização de paredes internas e externas e pintura de todo o espaço.

Outro destaque da revitalização foi o processo de ambientação dos recintos. Utilizando materiais variados, como pedaços de troncos, pedras e seixos decorativos, cordas e mangueiras trançadas, plantas variadas e resistentes, a equipe da Seção de Aves ornamentou os recintos conforme as necessidades de cada espécie. Tudo para permitir que as aves pudessem usufruir de mais conforto e bem-estar em cada canto da Praça.

Serviço

A Praça das Aves está localizada no Jardim Zoológico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica. Av. Otacílio Negrão de Lima, 8000. O horário de funcionamento é das 8h às 16h (com permanência até às 17h).

Suziane Fonseca, da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica

Grous-coroados
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