A volta olímpica e a lesão

– Dez sessões? Indaguei (na verdade, gritei) bastante assustada, depois do diagnóstico do meu fisioterapeuta terapeuta foda atleticano.

A recomendação soava como uma condenação naquele momento. Aquelas 10 sessões representavam ficar 10 dias de molho, no estaleiro, parada, without training! E logo no momento em que as coisas estavam dando certo!

Era agosto de 2015. Eu havia entrado para a Run & Fun, minha assessoria esportiva, havia quatro meses e tinha perdido nove dos 20 kg pretendidos. Eu me sentia um Usain Bolt do asfalto. Justamente por isso eu me lesionei.

Recapitulando: era aniversário de 50 anos do Mineirão. Haveria uma corrida de 5km entre as festividades com a possibilidade de dar a volta olímpica no gramado. Mesmo depois de já ter pisado milhares de vezes no campo do Gigante da Pampulha durante as coberturas esportivas, aquilo me instigava bastante (E foi lindo! Eu conto depois).

Conversei com meu treinador e ele considerava cedo ainda para me aventurar. Estava me preparando para a Corrida do Atlético, que seria realizada pela primeira vez no início de outubro daquele ano. Ele temia pelo percurso.

Apesar de ser de curta distância, não era legal. Incluía um zigue-zague pela esplanada do estádio, com investidas pelo estacionamento e subidas pelo lado de fora. Mas a “volta olímpica” ia coroar a festa. E era só isso que eu queria, confesso.

Estava decidida a seguir o conselho do meu treinador até ganhar a inscrição como cortesia e me sentir obrigada a ir. Então fui. Imaginem mais de 4 mil pessoas ziguezagueando pela esplanada sob um sol escaldante!? Foi horrível, mas lindo ao mesmo tempo. Dar a volta olímpica no gramado mais ainda. A conta, porém, veio superfaturada depois.

Eu estava de plantão no dia. Fui trabalhar logo depois da corrida e, naquela tarde, já não conseguia pôr o pé direito no chão. Fui atrás do fisioterapeuta terapeuta atleticano gente boa, que me diagnosticou com uma inflamação no platô tibial e determinou o meu primeiro afastamento. Acho que senti o que sente um jogador de futebol que se lesiona às vésperas de uma decisão importante.

Naquele momento eu percebi a verdadeira importância da corrida na minha vida. E, acima de tudo, a importância de saber ouvir e seguir as determinações do meu treinador. Nem todas as pessoas podem correr, mas quem pode, deve correr com responsabilidade. O “correr da vida embrulha tudo”, menos as contusões.

Ludymilla
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