As mudanças na água da Pampulha neste período chuvoso

Atualmente, as pessoas que costumam utilizar a orla da Lagoa da Pampulha para caminhar ou para realizar outra atividade esportiva ou de lazer podem notar que as fortes chuvas do mês de dezembro e janeiro modificaram as condições da água.

Isso é o que se espera devido ao poder de diluição que a água da chuva apresenta, conforme já mencionado em outros artigos dessa coluna. Podemos notar que a água da lagoa já não está tão verde e também que o mau cheiro diminuiu. Isso aconteceu porque as chuvas têm a capacidade de diluir muitas substâncias ou materiais na água.

As chuvas causam diminuição nas concentrações de nutrientes na água e também causam diminuição na quantidade de micróbios associados ao mau cheiro. Os micróbios ficam menos abundantes porque as chuvas provocam esse efeito diluidor e, também, a simples queda das gotas na superfície da água já é suficiente para dificultar o crescimento desses micróbios.

Como são os micróbios os responsáveis pela formação daquelas “natas” verdes e mal cheirosas que costumamos perceber em vários pontos da Lagoa, as chuvas são bem vindas por controlar essas condições ruins da água. Entretanto, infelizmente, a ação das chuvas não é apenas positiva. A chuva em si não é o problema, mas sim o modo como o ser humano tem lidado com todo o entorno da Lagoa e dos córregos que chegam até ela.

Ao caminharmos pela orla, podemos observar que os efeitos benéficos das chuvas vieram acompanhados de outros efeitos negativos. A chegada das chuvas arrastou uma grande quantidade de resíduos sólidos (lixo) para a Lagoa.

Isso contribui para o assoreamento da Lagoa, para a proliferação de animais perigosos, incluindo o mosquito da dengue, e também para deixar toda a orla muito menos atrativa aos turistas e aos moradores de Belo Horizonte.

Várias matérias publicadas no Viva Pampulha, como aquela escrita pelo ex-editor do portal Marcelo Machado, tratam do assunto e mencionam o papel da população como causa desse problema. É certo que os poderes públicos têm participação ao não investirem o suficiente na educação e conscientização da população, ao haver pouca fiscalização e punição a quem comete infrações que resultam na chegada dos resíduos sólidos à Lagoa, além de outros aspectos que podem e devem ser melhorados.

Porém, os principais atuantes em gerar essa degradação são os cidadãos. São eles que descartam, de modo inadequado, a maior parte dos resíduos que chegam à Lagoa.

O poder público entra com a ação paliativa de remover parte do lixo, mas notamos claramente que isso não é o suficiente. Novamente, a questão sai do âmbito estritamente ambiental e torna-se também um problema de saúde pública. Assim, é necessário educar e orientar toda a população da bacia hidrográfica para que o problema se torne menor no futuro.

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