Belo Horizonte, a cidade do tempo perdido

Quando saímos de carro, pelas manhãs, em Belo Horizonte, o rádio do carro vai anunciando as condições do trânsito na cidade. É sempre a mesma coisa: engarrafamentos colossais em nossos principais corredores, avenidas e ruas. São minutos, horas preciosas de nossas vidas perdidos no caos do tráfego.

A cena de longas filas de automóveis arrastando-se pelas ruas e avenidas de BH tornou-se uma rotina. Para se ter uma ideia, quando era aluno de Biologia da UFMG, 40 anos atrás, eu saía todas as manhãs, com o fusca do meu pai, da rua Estevão Pinto, na Serra, e chegava no ICB, no Campus da Pampulha, em 20 minutos. Hoje, o mesmo trajeto – com sorte – só pode ser feito no dobro do tempo. Ou muito mais, em alguns dias.

Perder uma parte da vida no trânsito da cidade tornou-se algo tão comum que até uma nova metáfora vem sendo usada por todo mundo em nossas falas diárias: ficamos agora “agarrados” no trânsito. Os engarrafamentos servem de desculpa para tudo: atrasos nos compromissos, ausências nas escolas, no trabalho etc.

O trânsito caótico afeta toda a vida da cidade e, meu caro leitor, não tenha dúvida alguma: você está pagando por essa ineficiência uma boa parte do seu salário todos os meses. E temos ainda o problema da segurança. O anel viário de BH, por exemplo, tornou-se um corredor da morte. São recorrentes os casos de acidentes dramáticos responsáveis por várias mortes todos os anos. E a nossa pobre Pampulha não fica fora desse caos…

O que mais me impressiona é a passividade da sociedade frente a essa situação, e eu me pergunto: o que nós – pobres mortais vivendo como sardinhas enlatadas no tráfego de BH – estamos fazendo em termos de mobilidade? Quantos de nós optamos por deixar o conforto do carro próprio para aventurar-se em um ônibus? Ou usar a bicicleta? Ou mesmo andar mais a pé?

Por que não educamos nossos filhos para serem mais independentes na hora de ir e voltar da escola? Será tão ruim usar mais transporte solidário? Será que existe alguém nessa cidade que acredite que o nosso metrô vá além do que as promessas eleitorais?

Todos os nossos políticos falam de mobilidade urbana. O atual prefeito chegou a admitir que os coletivos de BH não passam de “latas-velhas”. É chegada a hora, Sr. prefeito, de mostrar serviço! E não é só do prefeito que temos que cobrar resultados.

O fato é que, sem mudanças de hábitos e sem uma sociedade que passe a exigir mais ousadia e coragem dos gestores, as verdadeiras soluções para o nosso caos urbano permanecem como miragens…

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