Chegada em dobro

Logo após cruzar a linha de chegada da 18ª Volta Internacional da Pampulha, neste domingo (4), Deolindo Braga, de 65 anos, voltou em direção à prova, para o desespero da organização.

“Vou buscar meu irmão, vou buscar meu irmão”, gritava ele, driblando integrantes da segurança para retornar ao circuito.

“Não pode voltar, senhor, não pode”, berrava, ao microfone, o locutor, completamente ignorado pelo senhor baixinho, bigodudo e para lá de atrevido.

Alguns minutos depois, eis que Deolindo ao quadro cruza a linha de chegada. Era ele abraçado ao irmão gêmeo Amarilio. Cara de um focinho do outro.

“Fui até a barragem para buscá-lo. O povo exige para a gente chegar junto, seja aqui, em qualquer lugar do Brasil ou no exterior”, justificava Deolindo, explicando que a chegada em dupla é uma tradição dos irmãos.

Os irmãos Braga contam que é sempre assim. Às vezes,  Amarilio chega primeiro e volta para resgatar o irmão. E o contrário também ocorre, a exemplo desta Volta da Pampulha.

Os gêmeos, que trabalham como decoradores e afirmam ser primos do cantor Roberto Carlos,  são de Vitória (ES). Eles dizem participado da maior parte das edições da Volta da Pampulha. Já correram também a São Silvestre e provas no Peru, Chile e Argentina.

“Eu corro há 27 anos, e meu irmão começou um pouco depois. Deixo uma mensagem a todos: saiam do sofá, saiam do sedentarismo, e venham correr. Corrida é saúde, é alegria”,  recomenda Deolindo.

Atração á parte, a dupla está sempre cercada de amigos e curiosos nos momentos em que posam para fotografias.

O que não falta é papagaio de pirata pegando carona nos 15 minutos de fama dos gêmeos.

Amigos e curiosos cercam os gêmeos Amarilio e Deolindo
Amigos e curiosos cercam os gêmeos Amarilio e Deolindo
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