Condromalácia patelar

Estamos em um período de várias maratonas e corridas para amadores, portanto nada melhor que falar sobre uma patologia que é a causa mais comum de dor no joelho em pessoas jovens, especialmente corredores, ciclistas, jogadores de futebol e tênis.

A Condromalácia patelar (também conhecida como Síndrome Álgica Patelofemoral , ou “joelho de corredor”) consiste em uma doença crônica degenerativa da cartilagem articular da superfície posterior da patela e dos côndilos femorais correspondentes, que produz desconforto e dor ao redor ou atrás da patela.

Para entender porque o joelho dói, é necessário ter em mente o conceito do “aparelho extensor”, que se compõe da patela, da massa muscular anterior da coxa, um forte músculo chamado quadríceps e dos tendões quadricipital e patelar.

Como o próprio nome diz, a função deste conjunto é a de estender o joelho. Nas atividades da vida diária e nos esportes, a principal função do aparelho extensor, por incrível que pareça, não é essa, mas sim de desacelerá-lo, absorvendo energia cinética.

Isso é feito por um mecanismo denominado contração excêntrica, na qual o músculo contraído alonga-se contra resistência. Se todas essas estruturas do aparelho extensor funcionam bem e estão integras, tudo vai bem.

Porém, havendo predisposição individual, fraqueza e desequilíbrio muscular, somado à sobrecarga mecânica do esporte ou excesso de escadas ou salto alto, a energia que seria absorvida pela massa músculo-tendínea passa para a articulação, desencadeando lesão.

Quando atinge o tendão patelar ou do quadríceps, por exemplo, temos a tendinite patelar ou quadriceptal, mas quando atinge a cartilagem de contato entre a patela e o fêmur, poderemos ter a condromalácia, que é um “amolecimento” anormal da cartilagem articular da patela que pode evoluir para a quebra na sua integridade (rachaduras) e perda de substância (falhas).

Alguns fatores estão associados à lesão, como pisada muito pronada ou supinada, joelhos arqueados ou varos, angulações e rotações anormais entre os ossos do quadril, diferença de comprimento dos membros, mas a causa mais comum é o enfraquecimento e encurtamento de grupos musculares, gerando desequilíbrio entre músculos agonistas e antagonistas.

Os sintomas mais comuns são: dor relacionada a esforços ou longos períodos sentado, dificuldade para descer e subir escadas, crepitaçōes (barulhos internos), aumento da sensibilidade em dias frios e sensaçōes de fraqueza nos joelhos.
Porém, nem sempre ocorre dor.

Trabalhos científicos recentes têm demonstrado que muitas pessoas cujos joelhos apresentam imagem de condromalacia, às vezes já em estágios avançados, não têm necessariamente dor. Em outras palavras, a condromalácia pode muitas vezes ser apenas um achado de exame e a dor ser decorrente de inflamação de outros tecidos. Por este motivo, preferimos abordar o assunto como sobrecarga patelofemoral.

Quanto mais cedo for descoberta, maior a chance de recuperação. A radiografia é importante na avaliação de um joelho com dor, porém o diagnóstico é feito com a ressonância magnética.

Em geral, o tratamento é feito com fisioterapia, para alívio de dores e fortalecimento do mecanismo extensor, associado ou não a medicação para dor. Os trabalhos mais novos já mostram que as infiltrações com ácido hialurônico aceleram a recuperação dessa patologia. São infiltrações únicas ou seriadas (depende da experiência e do gosto do ortopedista), feitas dentro do joelho.

Esse tratamento já faz parte do protocolo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Em geral,o retorno à atividades físicas é rápido.

O tratamento cirúrgico é indicado em lesões mais extensas, ou deformidades acentuadas no aparelho extensor. Pode ser feito aberto ou de forma artroscópica (popularmente conhecida como “cirurgia a laser”, apesar de não ter laser na jogada).

Caso se indentifique com esse quadro, procure seu ortopedista o mais rapidamente possível.

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