Contando com a sorte

Em dezembro de 2016, o National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA, o órgão que regula a segurança do trânsito nos Estados Unidos) apresentou um relatório sobre o megarecall global dos airbags produzidos pela empresa japonesa Takata. O estudo entregue pelo NHTSA aponta que os riscos de que o airbag exploda e cause lesões graves ou fatais aumenta a cada dia que se passa.

Por esse motivo, o órgão norte americano determinou em maio de 2016 que todos os veículos vendidos no mercado norte americano, equipados com airbags que utilizam nitrato de amônio e que não possuam um elemento considerado dissecante, responsáveis por reter a umidade, sejam substituídos por outros modelos comprovadamente seguros. Depois disso, os técnicos que fazem os testes para o órgão norte-americano darão um novo parecer até 31 de dezembro de 2019.

No Brasil, o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) não possui estrutura para estudar os riscos dos airbags fabricados pela Takata e o perigo que o produto químico pode oferecer para a população brasileira. Além disso, o órgão brasileiro não utiliza como referência os estudos feitos por órgãos de trânsito dos outros países. E, todos os recalls convocados até agora aconteceram por iniciativa das montadoras, nenhum chamado teve a participação do governo brasileiro.

A posição da Takata

Para Airton Evangelista, presidente da Takata Brasil, as condições climáticas do Brasil aumentam o risco de que a falha aconteça por aqui. A opinião é compartilhada por Harold Blomquist, Ph.D em química e responsável pelos testes realizados nos Estados Unidos.

“Concluo que todos os insufladores de motorista e de passageiros Takata sem dissecante contêm um propelente que se degrada ao longo do tempo. Além disso, o propelente se degrada quando exposto à umidade e por conta da variação da temperatura até o ponto de arriscar a ruptura do inflador,” alerta Harold.

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