Coragem de Maria

Correr já fazia parte da vida de Maria, a Cota do Salão de Itabirito. Em um mês qualquer de 2008, ela se apaixonou pela corrida quando resolveu, ao lado da filha Aline, disputar uma prova de revezamento. Cada uma correu 3km. Depois, a meta seria completar outros 5km sem caminhar.

Mas, ousada, Maria resolveu começar a treinar para os seus primeiros 10km, completados com louvor em 1h12min à época. Hoje, a cabeleireira percorre os mesmos 10km em 55min.

Mas bem antes de conseguir isso, Maria teve de testar seus próprios limites. Em setembro de 2009, ela passou a não sentir mais o sabor da comida. Emagreceu bastante e acreditava que, como treinava muito, aquilo era consequência do novo estilo de vida. Fez um checkup que deu em nada. Aparentemente, a saúde estava perfeita, até fazer uma colonoscopia que detectou um tumor de 3cm no intestino.

Maria foi submetida a uma intervenção cirúrgica no mês seguinte para a retirada de 18cm do intestino e mais 26 sessões de quimioterapia posteriormente. A prioridade da cabeleireira, naquele momento, era se recuperar, embora jamais tenha escondido a preocupação com o período que teria de ficar longe “das pistas”. Logo na primeira consulta pós-cirurgia, indagou sobre o retorno e ouviu do médico o que desejava: “Faça o que suportar”.

E assim ela o fez. Nem o câncer conseguiu frear Maria. Em março de 2010, enviou uma carta para uma revista especializada em corridas e foi selecionada para participar de um desafio de 6km no Rio de Janeiro em pleno tratamento de quimio.

Aqueles 6km significavam muito. Era a corrida da vida, segundo ela. Na linha de chegada, o marido a aguardava segurando uma plaquinha com a frase “você conseguiu” estampada. Foi emocionante para a cabeleireira. Mas o esforço excessivo teve consequências nada agradáveis.

A quatro sessões do fim do tratamento, a imunidade de Maria baixou. A corredora precisou ficar um dia internada e decidiu parar de treinar durante o restante do ano. Decisão acertada. Ela se curou completamente do câncer e voltou com tudo em 2011.

Quem, até então, havia disputado apenas provas de 10km, foi comemorar a recuperação na Meia Maratona de Amsterdam. De lá para cá, já se somaram muitos quilômetros no currículo entre provas internacionais e nacionais de longa e curtas distâncias.

Para Maria, nunca é tarde para recomeçar. Como ano novo é sempre um momento de reflexão, quis contar um pouco da história dessa guerreira, minha principal inspiração para começar a correr.

Que o nosso 2017 seja assim: de muita coragem como a de Maria.

Maria
Maria
468 ad