Correndo e amando

Casal que corre junto é mais unido e briga menos. Esta é a realidade, pelo menos, de Sílvia e Carlos, Silvana e Hélcio, Lívia e Leonardo, Geysemara e Luíde. Companheiros na corrida, eles vão participar da 18ª Volta Internacional da Pampulha neste domingo (4) e revelam quais são os benefícios que a corrida em parceria traz para a relação.

A comerciante Lívia Fuzessy, de 34 anos, começou a correr por conta de uma depressão pós-parto, após o nascimento da filha Giovanna, hoje com cinco anos de idade.

“Eu não podia tomar remédio porque estava amamentando. Recomendaram-me a corrida. E assim comecei”,  lembra ela.

Os efeitos vieram rapidamente, inclusive com a perda do sobrepeso ganho com a gravidez. Animada, Lívia passou a incentivar o marido, o engenheiro eletricista Leonardo Teixeira, 36, que levava uma vida sedentária e estava quase 30 quilos acima do peso ideal, com 109Kg fartamente distribuídos em 1,86m de altura.

“Sem contar que a pressão dele vivia nas alturas, em 18 por 9”, relata Lívia.

Hoje 25 quilos mais magro, Leonardo está com a saúde em dia e a pressão normalizada, em 12 por oito. E o casal vive uma lua de mel atrás da outra, viajando pelo Brasil e por outros países, como Argentina e Chile, para correr e fazer turismo.

“Já corremos em Buenos Aires e Santiago. No Brasil, em São Paulo, no Rio, em Foz do Iguaçu”, conta Lívia, que tornou-se corredora de meia-maratona, enquanto o marido virou maratonista.

Ambos vão correr no domingo pela terceira vez a Volta da Pampulha e escrever mais um capítulo da parceria na corrida que melhorou também o casamento.

“A união melhora tudo, as viagens também. Estamos mais unidos e com maior afinidade porque gostamos do esporte. A gente se envolve mais, fica mais tempo junto e leva uma vida mais saudável. É preciso se alimentar bem para ter boas performances. E assim vamos buscando cada vez mais fazer as coisas juntos”, diz a comerciante.

Livia e Leonardo: corrida em Foz do Iguaçu (PR)
Livia e Leonardo: corrida em Foz do Iguaçu (PR)

Namoro em alta

Professora de Educação Física e diretora de uma escola estadual,  Silvia Svensson, de 41 anos, começou a correr em 2010. Na marra, levou junto o marido, o também educador físico Carlos Souza, 38, que era adepto do ciclismo e não fazia tanto gosto por correr.

“Mas ele pegou gosto nos últimos dois anos. Ainda mais que vem ficando entre os dez melhores em muitas corridas e até pegando pódio de vez em quando”, conta ela.

Desde a primeira corrida, em setembro de 2010, o casal já soma 150 provas junto, a maioria em Belo Horizonte. Também correram em Divinópolis e em Vila Velha (ES).

O companheirismo é a marca registrada de Silvia e Carlos, seja nos treinos ou nas provas. Em uma delas, ao perceber que estava em nono lugar e não teria chance de pódio, ele fez as vezes de “Coelho” para ela.

“Ele foi um ótimo Coelho. Puxou e me levou a forçar o ritmo. Graças a ele consegui chegar em quinto lugar e fui ao pódio”, lembra Silvia.

Mas é em casa que a corrida proporciona os maiores benefícios. A união na rotina de atividades físicas torna a relação do casal mais harmoniosa.

“Ajuda demais. Diminui as brigas. A endorfina no cérebro deixa tudo melhor para a gente. Melhora o namoro, dá até mais vontade, sabe? (risos). É impressionante como tudo muda. Superindico”, recomenda Silvia, que afirma ficar mais irritadiça quando não pode correr em função de alguma lesão.

Ela e Carlos vão participar da Volta da Pampulha no domingo. Será a sexta vez dele. “Eu corri só duas porque tive duas gestações nesse período”, explica Silvia, mãe de Júlia (7) e Rafaela (3). O casal também está inscrito para a São Silvestre deste ano, pela primeira vez.

Silvia e Carlos: 150 provas juntos em seis anos
Silvia e Carlos: 150 provas juntos em seis anos

No mesmo ritmo

Assim como Lívia e Silvia convenceram os maridos a correr, a administradora de empresas Silvana Peixoto, 49, acabou contagiando o maridão Helcio Araújo, aposentado, 57.

Ao perceber que a esposa estava atuante nas corridas, inclusive viajando para disputar provas em cidades como Florianópolis e Rio de Janeiro, Helcio, que gostava de jogar futebol aos domingos com os amigos, tratou logo de entrar para o time dela.

“Eu chegava de viagem e contava para ele do ambiente, da alegria da turma com o mesmo objetivo de correr. Era tudo muito prazeroso. isso acabou contagiando ele”, conta Silvana.

“Ela viajava e eu ficava, né? De vez em quando eu ia só para ficar olhando e tirar a foto dela na chegada. Por isso resolvi correr também. E é só começar, viu? Todo mundo pode! É um vício”, afirma Helcio.

O casal hoje está afinadinho nas corridas e vai participar pela primeira vez da Volta da Pampulha.

“Vamos correr no mesmo ritmo”, diz Silvana, explicando que a meta é completar a prova em no máximo duas horas.

Entrosamento na corrida, casamento em sintonia.

“Melhorou o relacionamento, o companheirismo. Hoje temos mais assuntos, falamos de corridas, treinos, tipos de tênis, roupas. Antes ele era só futebol, agora está mais sociável”, relata Silvana, explicando que o casal fez novas amizades por conta das corridas e passou a ter uma vida social mais intensa.

Helcio e Silvana: mais assuntos e vida social
Helcio e Silvana: mais assuntos e vida social

“Com certeza, temos hoje mais assuntos para dividir e um outro círculo de amizades”, concorda Helcio.

Solteira em SP

A comerciante Geysemara Peixoto, 45, e o marido Luíde Peixoto, 47, que moram em Caeté, a 35Km de BH, formam outro casal em sintonia na corrida e na relação. Começaram a caminhar juntos há três anos, passando a correr logo em seguida.

“A corrida fez muito bem para a gente enquanto casal. São os mesmos gostos, passamos mais tempo juntos. Saímos para caminhar, correr, conversar. temos mais tempo para a gente”, afirma ela.

Mas não é somente o casal que é envolvido pelo universo das corridas. Os filhos Diego, 15, e Arthur, 9, já estão se empolgando também e costumam correr ao lado dos pais.

Geysemara e Luíde vão participar pela terceira vez da Volta da Pampulha. A meta dela é correr a prova abaixo de 1h30. O próximo desafio dela será a São Silvestre, no fim do ano, em São Paulo.

“Ele não vai poder ir”, lamenta ela.

Enfim…

Pela experiência dos quatro casais, fica a dica: a corrida é uma boa alternativa para melhorar a relação em um casamento.

Que tal experimentar?

Melhor correr antes que seja tarde…

Geysemara e Luíde: "mais tempo para o casal"
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