Correr é prazer

Correr uma maratona? Nunca tive essa vontade. Ou melhor, essa necessidade… Até ler o livro do médico Drauzio Varella. No best seller, o autor, que começou a correr, tardiamente, aos 50 anos, discorre sobre o prazer de praticar essa atividade física e seus benefícios.

Hoje, ele está na casa dos 70 e já perdeu as contas de quantos quilômetros percorreu pelo mundo, de Chicago a Tóquio, de Boston a Londres, de Berlim a Miami, de Nova York ao Rio de Janeiro.

Para mim, que ainda acha ambicioso completar os 18Km da Volta Internacional da Pampulha e, se muito, somar aí mais 3Km de uma Meia, um percurso de 42Km nada mais era do que testar o próprio limite do corpo ou a ambição de bater um recorde pessoal. Claro que ainda há os caras desse grupo, mas concluí que, tanto para o autor e outros tantos corredores, correr uma maratona é uma forma de se livrar do estresse de uma rotina maçante de trabalho.

O livro de Drauzio Varella é inspirador e convincente. Talvez esse convencimento esteja em sua autoridade de médico. Eu, que comecei a correr depois dos 40 anos em etapas graduais, pensando apenas em perder peso e ter mais qualidade de vida, já cogito a possibilidade de participar de uma prova dessa distância um dia.

Ao mesmo tempo que encoraja, o livro de Varella faz um alerta, especialmente, para os problemas que o despreparo pode acarretar. Quando nos deparamos com histórias como a do autor, ou de qualquer outro corredor que começou a correr tardiamente, a gente se acha invencível. “Se ele pode, eu também posso”, repete logo a frase feita. Mas não é bem assim.

Independentemente da idade, precisamos respeitar os limites do corpo. O principal objetivo de quem gosta de correr é não se machucar. Eu, por exemplo, estou em busca disso. Se só a fase final de preparação para a minha primeira Volta da Pampulha me rendeu duas tendinopatias, imaginem uma maratona?!? Correr é, acima de tudo, sentir prazer. Seja nas curtas, ou nas longas distâncias.

CORRER
Autor: Drauzio Varella
Editora Companhia das Letras

468 ad