Cultura em fragmentos: o futebol brasileiro perde a alegria

Partida do Campeonato Brasileiro de 2016, pela 32ª rodada, no Maracanã, Rio de Janeiro. Flamengo e Corinthians jogaram e empataram por 2 a 2. Um jogo que era para ser lembrado pelos gols, pelas jogadas, por toda beleza do espetáculo ficou reduzido a um segundo plano devido à violência ocorrida nas arquibancadas.

Lamentavelmente, a torcida organizada Gaviões da Fiel protagonizou uma das cenas mais duras e pesadas que se pode presenciar nesses últimos tempos no cenário esportivo. Uma dezena de marginais e vândalos enfrentou a Polícia Militar do Rio de Janeiro, que estava ali presente para garantir e assegurar a segurança das pessoas e famílias presentes ao estádio.

O que se viu foram os poucos policias que ali estavam, acuados e amedrontados por agressões, socos e pontapés de torcedores da torcida corintiana. Este fato me chamou muito à atenção e gostaria de registar aqui minha indignação quanto a situação caótica de falta de segurança em nosso país. A sirene de alerta já está há muito tempo tocando e nada de providências quanto a garantia de segurança que todos temos direito como cidadãos de ir e vir.

Não foi um caso isolado de violência social na área esportiva. Foi apenas mais um fato ocorrido que foge ao nosso alcance. Há muito tempo, torcedores são mortos nos estádios e nas proximidades e não vemos a mínima posição do governo que garanta a integridade e a paz do público.

Não há como dissociar esses fatos ocorridos de violência no futebol da violência que ocorre em todas as esferas de nossa sociedade. É preciso com urgência tomar medidas que interfiram radicalmente nesses atos de barbárie. A cultura fragmentada do nosso país em cacos precisa ser remontada e colocada em um novo patamar.

O futebol como manifestação esportivo-cultural deve ser preservado e atraído pelo povo para usufruí-lo como uma manifestação popular que promova alegria, lazer e entretenimento.

O evento de futebol hoje no Brasil é extremamente caro e oneroso para a população. O futebol se tornou apenas uma ferramenta de negócio, o qual as pessoas mais humildes não tem acesso e mínimas condições de participar. As torcidas organizadas se tornaram um instrumento de manipulação de dirigentes esportivos que utilizam deste fim para alcançar objetivos políticos.

O futebol, como as artes, é uma manifestação muito valorosa para a nossa identidade cultural. Precisamos tratá-lo com muito carinho e respeito para não perdermos o que é de mais valioso para nossa cultura: a nossa história, ou seja, o acervo de lembranças e fatos que fortalecem a cultura. Estamos criando um museu manchado de sangue que retrata a desesperança com o futuro melhor para todos recheado de lazer, educação e conhecimento.

Quero ir ao campo de futebol levando minha família e ter a certeza de que terei divertimento e voltarei feliz para a casa. Quero e espero urgentemente uma mudança drástica e radical que valorize as pessoas de bem e trabalhadoras, e puna de vez aqueles que sujam a paz e a integridade da sociedade e que se fazem de vítimas do sistema.

Quero, por fim, que o direito humano seja feito para o bem das pessoas de bem. Simplesmente, quero de volta a alegria do futebol brasileiro e muito mais, a alegria de ser brasileiro.

468 ad