E aí, Jô?

– Jô, confessa que você bateu o braço na bola. Confessa!

Esta é a frase que todo brasileiro pensou e/ou falou. Com exceção dos torcedores corintianos, acredito que todos esperávamos uma atitude ética do Jô.

Assim se esperava, sobretudo de um atleta que há bem pouco tempo prometeu ser correto e ético nas polêmicas.

Apenas para relembrar, o Jô foi inocentado pelo Rodrigo Caio no jogo com o São Paulo. Teve um cartão amarelo retirado após o atleta sãopaulino tê-lo inocentado perante o juiz.

Perdeu a oportunidade de ser mais digno, correto e honesto.

O Corinthians venceu a partida, beneficiado com um gol ilícito. Muitos podem creditar à péssima arbitragem brasileira, outros à força do futebol paulista e por aí vai uma série de polêmicas que suscitam a história deste jogo. Toda a discussão é válida!

Mas, acima de qualquer discussão sobre o favorecimento obtido, está a CRISE MORAL pela qual passamos no Brasil.

A não admissão do atacante Jô de que a bola havia tocado em sua mão retrata fielmente os valores da sociedade.

Jô

Respeito, verdade, sinceridade e honestidade não representam o futebol. Assim como não representam nossa sociedade.

Julgar o atleta classificando-o de marginal, mentiroso e mau caráter, é reduzir e fragmentar a CRISE MORAL.

Jô deveria ter admitido o erro. Mas não o fez. Perdeu a oportunidade de credibilizar o futebol. Mas não devemos crucificá lo.

Não é um educador, um político e um líder. Claro, esperamos de qualquer ser humano atitudes honrosas e dignas. Mas eu espero mais e responsabilizo muito mais as instituições às quais estamos submetidos.

A instituição mais uma vez falhou. A direção do Corinthians deveria no mínimo se desculpar e se redimir do erro do juiz. Mas o futebol imita a vida. As instituições no Brasil perderam a credibilidade. Não se responsabilizam pelos atos. Desta forma, envenenam a sociedade. São exemplos negativos.

Assim é o futebol, assim é a política. De um jeitinho ou outro se conquista os objetivos. Não importa como!

Estamos contaminados com a pobreza de valores. O gol ilícito é um retrato perfeito da desonestidade que impera entre nós.

Assim vamos vivendo, esperando sempre pela melhor resposta e atitude honrosa.
Acreditamos ainda em “Jôs” com diferentes respostas, sem hipocrisia e sem meias verdades.

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