Eleição BH 2016

Neste domingo (30), a população de Belo Horizonte volta às urnas para o segundo turno da eleição municipal. É o dia D para Alexandre Kalil (PHS) e João Leite (PSDB). Um deles será o prefeito da capital mineira de 2017 a 2020.

Afinal, o que pensam os dois candidatos sobre temas importantes referentes à Pampulha?

O Viva Pampulha procurou ambos para saber o que eles têm a dizer sobre assuntos como a despoluição da Lagoa, os desafios de manter o título de patrimônio cultural da humanidade para o conjunto moderno, a Mata do Planalto, entre outros tópicos.

Uma das nove regiões administrativas de Belo Horizonte, a Pampulha tem quase 200 mil moradores distribuídos em pelo menos 29 bairros, além de vilas e conjuntos. A área da região é de 47 quilômetros quadrados.

A Pampulha é sinônimo de lazer, esporte, cultura, turismo e sustentabilidade. Tem o Mineirão e o Mineirinho, a Fundação Zoo-Botânica e o Parque Ecológico.

O conjunto moderno arquitetônico com a grife de Oscar Niemeyer, agora patrimônio mundial eleito pela Unesco, forma com a Lagoa o cartão postal maior.

A Pampulha mora no coração de todos os belorizontinos.

Seu peso político faz a diferença.

O Viva Pampulha fez as mesmas oito perguntas para os dois postulantes à prefeitura.

Com a palavra, os candidatos…

João Leite (à esquerda) e Alexandre Kalil falaram ao Viva Pampulha sobre propostas e projetos para a região da Pampulha
João Leite (à esquerda) e Alexandre Kalil falaram ao Viva Pampulha sobre propostas e projetos para a região da Pampulha

Descreva sua relação e ligação com a Pampulha. Qual é a história mais marcante que o senhor tem na região?

Alexandre Kalil: Eu frequento a Pampulha desde 1976. Eu lembro que eu esquiava na lagoa da Pampulha e a minha ligação com a região é ainda maior. Eu tenho um sítio lá, há mais de 30 anos.

João Leite: Sou apaixonado pela Pampulha, tenho uma ligação muito forte com o local. Quando fui secretário municipal, abrimos campos de futebol na orla, onde fica hoje o parque ecológico. Isso me marcou pois é algo que quero fazer como prefeito, devolver a cidade para as pessoas, garantir condições de esporte e lazer em espaços públicos bem cuidados.

O senhor vai cumprir a promessa de sanear, despoluir e desassorear a Lagoa da Pampulha?

Alexandre Kalil: Nossa proposta é de acelerar e concluir a recuperação da qualidade da água da Lagoa da Pampulha, em parceria com a Copasa e a Prefeitura Municipal de Contagem, que tem responsabilidade na contaminação da represa.

João Leite: É claro. Para isso, vamos precisar de um esforço cooperativo da Copasa e Prefeitura de Contagem, estes atores são fundamentais para que possamos garantir que não haja mais despejo de esgoto no local. Eu vou liderar este processo de trabalho conjunto e de busca por recursos.

Qual é a sua opinião sobre o atual tratamento de biorremediação realizado na Lagoa da Pampulha?

Alexandre Kalil: Nós sabemos que a biorremediação já está dando os primeiros resultados na despoluição da Lagoa da Pampulha. Mas precisamos dar continuidade ao tratamento da Lagoa. São 30 milhões de reais de investimentos para esse projeto, não podemos parar de jeito nenhum. a sobrevivência da Lagoa depende disso.

João Leite: Trata-se de um processo já implantado com sucesso em locais como os lagos Dourado e Ceclimar, ambos no Rio Grande do Sul. A expectativa é que ao final de um contrato de 22 meses atinja-se um nível de balneabilidade que permita a prática de esportes náuticos.

O que acha da meta da Copasa de atingir 95% de interceptação de esgoto na Lagoa até o meio do ano que vem?

Alexandre Kalil: Acho excepcional a ideia de cuidar da Lagoa. Atingir os 95% de interceptação de esgoto é uma obrigação da Copasa e já passou da hora dela fazer isso.

João Leite: Gostaríamos que a meta fosse superior. Vamos trabalhar junto a empresa para que atinja 100% de interceptação até o final do governo, em 2020.

João Leite  foi mais enfático sobre a mobilidade, enquanto Kalil  mostrou firmeza sobre a Mata do Planalto
João Leite foi mais enfático sobre a mobilidade, enquanto Kalil mostrou firmeza sobre a Mata do Planalto

Biólogos defendem a permanência dos animais silvestres na Lagoa, com adoção de política de manejo. O senhor considera essa opinião ou entende que a Lagoa deve ter outra finalidade?

Alexandre Kalil: Nós temos que trazer os biólogos e os defensores dos animais para a mesa, para conversar para ver qual é o melhor caminho a ser tomado.

João Leite: É necessário que o controle dos animais na orla da Pampulha seja feito por meio de esterilização. Há hoje um desequilíbrio na fauna, que deve ser manejado. Mas não se pode apenas realizar a retirada dos animais do local, como alguns propõem. Isso pode causar novo desequilíbrio e não é a resposta para o problema da febre maculosa, pois os carrapatos migrarão para outros hospedeiros, inclusive humanos.

O senhor sabe qual é o real significado do conceito de “patrimônio cultural da humanidade”, considerando os termos de comprometimento da PBH com a Unesco?

Alexandre Kalil: Nós sabemos que o local que recebe esse reconhecimento da Unesco é considerado um local valioso para todo o mundo, como nós acreditamos que a Pampulha é. É um local que tem uma importância histórica, cultural e natural e que precisa ser preservado para as gerações futuras

João Leite: O título concedido pela Unesco abre oportunidades e traz um novo senso de compromisso com a Pampulha. Por um lado, passamos a integrar o seleto rol de 16 locais no país que receberam este título, fortalecendo a Pampulha como atrativo turístico. Por outro lado, para que o título seja mantido, a prefeitura tem que atender às exigências da Unesco, como a despoluição da lagoa e o retorno do paisagismo de Burle Marx. São exigências que teremos alegria em cumprir, pois garantem a preservação da Pampulha.

Alguma solução para o caos no tráfego na região da Pampulha, principalmente por conta dos frequentes eventos?

Alexandre Kalil: Não tenho uma proposta específica para o trânsito na Pampulha, já que é um problema que afeta toda a cidade. Mas de forma geral, vamos buscar viabilizar a criação de mais corredores, vias e faixas exclusivas para ônibus e taxi com passageiro. Vamos também estimular o uso do transporte coletivo ampliando a frequência de viagens das linhas existentes e criando novas linhas, além de readequar 100% dos pontos de ônibus, equipando e deixando mais confortáveis.

João Leite: A Pampulha tem diversos pontos críticos de trânsito. Para lidar com a questão da mobilidade no local, teremos o Conecta Bairros, que ampliará as linhas de ônibus suplementares, de pequeno porte, trazendo novas ligações entre os bairros. Também queremos ampliar as linhas alimentadoras do Move.

Qual é a sua posição em relação à Mata do Planalto?

Alexandre Kalil: Fui lá e vi de perto a Mata do Planalto. Uma área de 220 mil metros quadrados de Mata Atlântica, com mais de 20 nascentes. Ela é intocável. Tem que ser preservada de qualquer jeito.

João Leite: A Mata do Planalto se tornou uma questão de Justiça, e à prefeitura, nestes casos, cabe obedecer as determinações judiciais. No entanto, firmamos um compromisso em nosso Plano de Governo, construído com a colaboração dos mais respeitados ambientalistas e entidades da sociedade civil, de recuperar e preservar todos os remanescentes de área verde na cidade, incluindo a Mata do Planalto.

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