Em busca de uma sociedade mais civilizada

Estou aqui, à frente do teclado, pensando sobre a coluna desta semana. Volto no tempo e penso também em minha coluna anterior… Onde foi parar a alegria do futebol? Não sei exatamente porque tanta violência e ódio cercam este jogo. Às vezes percebo o espetáculo de futebol como uma arena da Roma Antiga, onde os gladiadores se desafiavam. Estamos andando para trás?

E assim vejo também uma total superficialidade das relações sociais. As pessoas estão mais distantes, frias e intolerantes. O mundo está ficando cada vez mais raso de relação, comunicação e desenvolvimento pessoal. As pessoas estão trancadas em um mundo solitário, apoderando-se de seus aparelhos eletrônicos em viagens muito distantes da realidade. Está difícil se relacionar no mundo real. Todos se comunicam no Facebook, Snapchat, Instagram, mas quando chegam à realidade, mal se cumprimentam.

Assim também percebo o “mundo” da Educação Física, onde os relacionamentos estão cada vez mais escassos. Normal neste mundo, as pessoas voltando-se para o próprio umbigo. O narcisismo impera no meio fitness. O culto exagerado pelo corpo forte supera limites humanos e invade a prática de uso indiscriminado de ação dos anabolizantes.

A saúde do ser humano deve transcender o próprio corpo. Um novo olhar que reestruture novos paradigmas na prática pedagógica da Educação Física se faz necessário e urgente para remodelar uma nova perspectiva de interferência no processo de ensino-aprendizagem-treinamento. Há por trás de todo este processo uma busca humana muito mais complexa que imaginamos.

O treinamento deve prescindir de outras necessidades humanas como o contato, a troca social e a comunicação. O ambiente de ensino deve se carregar de afetividade e assim fazer da atividade física uma procura constante e incessante de relacionamento social.

Sem fugir da técnica, da busca do aprendizado, o ensino se agiganta quando o envolvimento se torna mais corpo e alma!

Aprender com prazer, com múltiplas buscas, deve ser o cerne da Educação Física. Se não, veremos esta invasão e proliferação nefasta de grandes companhias e empresas do ramo da atividade física dominando este mercado e consolidando cada vez mais o Império do Self, do narcisismo e do isolamento social.

Precisamos reverter este jogo o mais rapidamente possível.

Parabéns aos grupos de corrida, às pequenas academias, ao estúdios de atividade física que primam por esta filosofia e pedagogia de ensino, que buscam mais do que o simples exercício físico, mas também o bem estar, o conviver, o criar laços, afetos, amizades…

Necessitamos de uma educação que valorize o contato, o olho no olho, em busca de uma saúde coletiva que fortaleça a sociedade mais organizada e harmoniosa.

De grão em grão, acredito na função que nós, educadores, temos em exercer para tornar a sociedade menos impessoal, mais civilizada e menos doente!

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