Esportivo de verdade

Ao longo da minha carreira aprendi que não basta ser, é preciso também parecer o que se pretende. No caso dos esportivos, a maioria parece o que não é, ou seja, possuem visual do que não são. Mas no caso do Sandero R.S, foi diferente. Ao buscar a versão R.S do compacto na concessionária, logo percebi que ali havia um potencial hot pocket ou foguete de bolso. Afinal, rodas pintadas de preto, bancos esportivos com apoios laterais… E o responsável pelo carro logo que me entregou a chave disse mais ou menos isso: “somos eternas crianças, o que muda é o tamanho dos brinquedos, boa diversão.”

Ao ligar o motor, veio o som grave do escapamento com ponteira dupla com cinco centímetros de espessura. O artifício fez com que o motor, o velho conhecido 2.0 16V F4R, se destacasse, mesmo sem recursos modernos como comando de válvulas variável, turbo ou injeção direta.

No trânsito do dia a dia, o R.S. se mostra adequado às estradas. Em ruas com calçamento, as rodas pretas de 17 polegadas, calçadas com pneus nas medidas 205/45, permitem que as irregularidades sejam passadas a suspensão, que foi rebaixada de 24 mm. Combinando o visual mais baixo do carro, o kit aerodinâmico, inclusive escrito Renault Sport perto das rodas traseiras, com o volante em couro com costuras aparentes em vermelho e a sigla R.S na base da peça, junto com as pedaleiras de metal e os bancos com apoios laterais, demonstram que o objetivo do R.S. é competir com modelos como o Civic SI e o Golf GTI.

Apesar de ter sido planejado das pistas para as ruas, o Sandero R.S. também pode ser utilizado no dia, apesar de não ser o recomendável. Para isso, possui direção eletro-hidráulica, freio a disco nas quatro rodas, mais adequado para as pistas, assistente de partidas em rampas que permite que o motorista arranque em subidas sem o carro voltar. Além disso, posso dizer que o carro é econômico, com média de 10,6 km/l dentro da cidade, dirigindo no modo normal. O carro tem 142 cavalos. O painel indica o momento de trocar as marchas no câmbio de seis velocidades.

Se o proprietário preferir, ele pode escolher o modo Sport, com 145 cavalos – o mapa da injeção é alterado e as respostas do acelerador são mais rápidas. Agora, caso prefira o modo “tire as crianças da sala”, chamado pela Renault de Spot +, o proprietário deve segurar a tecla R.S. por 3 segundos e o ESP será desligado, permitindo, segundo a montadora francesa, “aproveitar todo o potencial do carro”.

Resumindo, se o proprietário busca um modelo para diversão em uma pista nos finais de semana, o R.S. é o carro, mas peca por não possuir itens dispensáveis para quem compra um Sandero como esse. Trata-se de equipamentos que os donos de esportivos não se lembram, como sensores de chuva, luminosidade. Não possui isofix para prender cadeirinhas, nem cinto de três pontos para o passageiro que vai sentado no meio do banco de trás, mesmo tratando muito bem os passageiros do banco da frente com bancos que possuem apoios laterais. Ainda mais em um mercado tão carente de esportivos de verdade, não apenas imitação.

sandero
sandero
sandero

Ficha técnica

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16V, flex, injeção eletrônica
Cilindrada: 1.998 cm³
Potência: 145/150 cv a 5.750 rpm
Torque: 20,2/20,9 kgfm a 4.000 rpm
Transmissão: mecânica de seis marchas, tração dianteira
Direção: eletro-hidráulica
Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: discos ventilados na dianteira e rígidos na traseira
Pneus: 205/45 R17
Dimensões: comprimento de 4,06 metros, largura de 1,73 metro, altura de 1,49 metro e distância entre-eixos de 2,59 metros
Capacidades: tanque 50 litros
Porta-malas: 320 litros
Peso: 1.161 kg

468 ad