Fabricantes economizam em segurança

Que os brasileiros preferem outros opcionais que não sejam os relacionados a segurança, como o sistema de som, rodas de liga leve ou bancos de couro, por exemplo, isso é fato. Mas, além de não serem  os equipamentos favoritos, os modelos produzidos aqui na América Latina estão mais de uma década atrasados, mais especificamente 13 anos, em relação à Europa quando o assunto é a segurança dos carros.

Além disso, os fabricantes fazem questão de economizar nesse quesito vital, como comprova Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP e diretor técnico do Global NCAP. A revelação foi feita ao jornal Clarin, da Argentina, no dia 4 de dezembro de 2016, em uma série de reportagens mostrando que a segurança não é prioridade na América Latina, seja nas prioridades de compra, seja no planejamento das fabricantes.

Um caso simples foi a constatação de que muitos modelos produzidos por aqui deixaram de ter barras de proteção utilizadas nas portas dos veículos. “Meu carro possui isso?” Sim, caro leitor, seu carro possui ou retiraram. Trata-se de um equipamento que, segundo a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), a grande maioria dos carros produzidos no Brasil conta há cinco anos.

acidente
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O reforço é feito, normalmente, por barras em aço de alta resistência, mais rígidas que a lataria do carro e montadas no interior das portas, por isso não são visíveis. As barras protegem os passageiros em colisões laterais, evitando que outro veículo, ao bater na lateral do carro, deforme o espaço onde está o motorista ou os passageiros. Segundo explicou Furas, se duas unidades de um mesmo modelo, um feito na América Latina e o outro na Europa, sofrerem o mesmo tipo de acidente, “na Argentina ele se enruga inteiro e no continente europeu a estrutura fica quase intacta”.

Além dos mortos e/ou feridos, o problema é econômico. Baseado em uma pesquisa de 2013, a agência Associated Press publicou que o índice de mortes por acidentes de carro no Brasil é quatro vezes maior que nos Estados Unidos, que possui uma frota cinco vezes maior. Segundo o Global NCAP, mais de US$ 143 bilhões poderiam ser economizados entre 2016 e 2030 se os veículos vendidos por aqui atendessem a todas as 77 solicitações da ONU em termos de segurança automotiva. Mas, tudo que é ruim, pode piorar.

“Na América Latina, o estudo mostrou que há modelos que vão piorando em termos de qualidade construtiva na medida em que passam os anos de produção, sempre em prejuízo da segurança. O problema é que os governos não constatam ou não querem constatar essa piora, apesar dos controles que dizem ter”, disse Furas.

Para solucionar a falha, o Latin NCAP sugere que os governos tenham estruturas próprias de avaliação e medição dos automóveis, como a que o Inmetro planeja criar na antiga fábrica da FNM, em Xerém, no Rio de Janeiro.

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