Fratura por estresse

Define-se “estresse” como a resultante de uma determinada carga aplicada sobre uma unidade de área. O termo “fraturas da marcha” foi primeiramente empregado nos casos de fraturas de estresse diagnosticadas nos pés de recrutas militares. As “fraturas de fadiga” são aquelas decorrentes de uma carga anormal aplicada sobre um osso normal, enquanto as “fraturas de insuficiência” são aquelas geradas por uma carga normal aplicada sobre um osso previamente enfraquecido, como na osteoporose.

As fraturas de estresse resultam de carregamento cíclico e repetitivo sobre o osso e diferem das demais fraturas por não decorrerem de eventos traumáticos agudos, e sim feitos no dia a dia. Com esses traumas, ocorre um remodelamento ósseo, o que fragiliza mais ainda aquela região. Se o estímulo causador da lesão continuar e o osso estiver produzindo poucas células ósseas, ocorre então lesão na zona acometida, levando a deformações microscópicas do osso, ou até lesões maiores ou completas.

Duas teorias são atualmente aceitas para explicar a causa das fraturas de estresse nos atletas. A primeira delas afirma que a musculatura enfraquecida reduz a absorção de choque das extremidades inferiores e permite a redistribuição de forças para o osso, aumentando o estresse sobre determinados pontos específicos do osso.

A fadiga muscular observada nas situações de sobrecarga física contribui para o desencadeamento das fraturas de estresse. Esta teoria explica em grande parte a origem das fraturas de estresse encontradas nos membros inferiores.

A segunda teoria, mais utilizada para explicar as fraturas de estresse dos membros superiores, afirma que a tração muscular através do osso é capaz de gerar forças repetitivas suficientes para desencadear uma falha óssea (sim, nossos músculos e tendões são muito fortes!)

Em meu consultório, vejo mais fraturas por estresse na tíbia (osso da perna) proximal e terço médio. É bem comum em atletas corredores de finais de semana e mulheres sedentárias, que iniciam práticas esportivas e têm muita pressa em obter resultados (tenho visto muito decorrente de aulas de zumba e do crossfit).

Estudos mostram que as mulheres atletas apresentam mais fraturas por estresse que homens. Os corredores contam com 69% de todas as fraturas por estresse, sendo as mais encontradas na tíbia (34%).

Geralmente, o quadro clínico é dor. O paciente reclama de dor após atividades físicas. Em geral,após alguns meses de início de prática (excluindo o caso de maratonistas e corredores de longas distâncias).

O diagnóstico é feito pela ressonância magnética, pela qual é encontrado um edema ósseo. Na radiografia, nem sempre a imagem de lesão é clara, mas quando aparece, mostra uma parede mais espessa na região (cortical óssea).

O tratamento é feito com uso de anti-inflamatórios, fisioterapia, alongamentos, fortalecimento muscular (o mais importante!), palmilhas para mudança de direção da pisada e do eixo e mudanças de hábito, como diminuir atividades de impacto e mudar a forma do exercício físico.

Em alguns casos, nos quais o edema ósseo é muito grande, pode-se imobilizar, porém por curtos períodos, para evitar que a musculatura fique muito atrofiada.

Se não for tratada, essa patologia pode levar a aumento progressivo da dor, fraturas completas ou até lesões irreversíveis na estrutura óssea, como osteonecrose.

Se você for corredor ou está apresentando dores alguns meses após iniciar atividades físicas (não vale nos primeiros dias, pois nesses, todos teremos dor!), procure um ortopedista para investigação.

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