Fujam dos exercícios e dietas milagrosas

Quem já ouviu alguém dizer que iniciou algumas dietas, como a dieta da lua, dieta da sopa, dieta das proteínas, dieta da alface, e perdeu muito peso no início e depois engordou tudo de novo e não conseguiu mais perder peso? Quantas pessoas já usaram medicamentos e fórmulas milagrosas vendidas na internet para perder peso e, ao invés de emagrecer, engordaram?

Quem já ouviu sobre pessoas que iniciaram a prática de exercícios físicos e depois de semanas ou meses tiveram que parar por estarem com doenças ortopédicas?  Como fisioterapeuta especializado no tratamento de lesões no esporte, estes relatos são bem rotineiros para mim.

A obesidade aliada ao sedentarismo é a causa de várias doenças que acometem a população mundial e o Brasil. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os índices de sobrepeso e obesidade estão na casa dos 52,5%, representando cerca de 82 milhões de brasileiros no ano de 2014.

A mídia e as propagandas enganosas de fórmulas milagrosas para emagrecimento têm crescido de maneira alarmante, e tais milagres prometidos podem frustrar muitas pessoas que buscam estas alternativas, além de levar riscos à saúde.

Nem sempre a balança expressa o real valor para saber se as pessoas estão obesas, pois existe uma grande diferença entre perda de peso e perda de gordura corporal.

A perda de peso pode vir acompanhada de perda de massa muscular, o que não é ideal e saudável, pois os músculos são essenciais para permitir que as pessoas possam se movimentar e realizar todas as atividades do dia a dia, como pegar um peso de uma sacola no supermercado, levantar-se de uma cadeira com mais facilidade até uma simples corrida para pegar um ônibus.

Já a perda de gordura corporal é extremamente benéfica para o corpo humano, pois o excesso de gordura corporal pode levar ao aumento da pressão arterial, ao risco de diabetes e às diversas cardiopatias.

Embora as dietas aliadas às atividades físicas e aos exercícios físicos sejam muito recomendadas para o emagrecimento (perda de gordura corporal), tais estratégias para o emagrecimento devem ser muito bem acompanhadas e estruturadas por uma equipe de profissionais que poderão ajudar a obter o sucesso pretendido e minimizando as lesões ortopédicas.

O termo atividade física é bem diferente de exercício físico. A atividade física é considerada como qualquer movimento corporal produzido pela musculatura que o indivíduo faça no dia a dia, em qualquer dia e horário, e sem acompanhamento por um profissional e que resultem em um gasto de energia acima do nível de repouso.

Alguns exemplos de atividade física são deslocar-se de um local para o outro, passear com o cachorro, lavar o carro, brincar com os filhos e cuidar do jardim. Já o exercício físico é uma maneira sistematizada, regular, repetitiva, conduzida e orientada por um profissional de educação física que será o responsável por dosar a carga, a quantidade de repetições, a forma de execução de cada movimento, a distância e o tempo de execução de uma caminhada, corrida, natação, musculação ou qualquer esporte que exija um acompanhamento de um educador físico.

Devido a esta sistematização proposta pelo exercício físico, o mesmo é mais eficiente que as atividades físicas.

Da mesma forma que os exercícios físicos devem ser sistematizados, as dietas também devem ser conduzidas de forma orientada, regular e adequada às necessidades individuais, de maneira que os mesmos consigam executar a dieta prescrita por um nutricionista.

Não basta ficar longos períodos sem se alimentar e cortar uma série de alimentos, pois neles estão diversos nutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo, além de gerar energia para as tarefas rotineiras do dia a dia e, principalmente, para a realização dos treinos.

As dietas devem ser prazerosas, adequadas e planejadas para aquilo que realmente as pessoas conseguirão fazer, caso contrário, rapidamente os mesmos largarão o planejamento dietético e novamente engordarão.

Para quem quer emagrecer a conta é simples. Devemos gastar mais calorias do que consumimos. E uma das maneiras de gastar mais do que se consome é aliando o exercício físico a uma dieta, porém, devemos respeitar os limites do nosso corpo, pois a perda de peso rápida em tempos curtos pode levar além da perda de gordura, a perda da massa muscular e riscos como depressão, irritabilidade e fadiga exagerada. E, consequentemente, tais indivíduos terão uma maior probabilidade de abandonar as dietas e os exercícios físicos. Conscientização e planejamento é tudo.

E as lesões ortopédicas? Quantas vezes eu já ouvi de clientes frases como “a musculação, a corrida e uma série de modalidades esportivas só me trouxeram lesão”. Ouvi também a frase: “antes eu era sedentário e não tinha lesão e foi só eu começar a fazer atividade física que comecei a ter lesões”.

O grande problema do aparecimento das lesões deve-se à prática e aumento da regularidade do exercício físico quando estes estão associados às diversas anormalidades biomecânicas que o indivíduo que o indivíduo apresenta.

Tais anormalidades biomecânicas são diversas, como pessoas que tem o joelho valgo (joelho para dentro), pessoas que pisam errado, pessoas que apresentam algumas fraquezas musculares específicas.

Numa analogia do iniciante de uma atividade física com um carro, eu costumo dizer que se um indivíduo tem uma série de anormalidades biomecânicas, ele é desalinhado. Se ele está desalinhado e começa a fazer atividades físicas sem o alinhamento ideal, brevemente ele desgastará os músculos, tendões, ligamentos e articulações do corpo humano. E um carro desalinhado funciona da mesma forma.

Se o carro está desalinhado, mas está parado na garagem, provavelmente não haverá comprometimento do pneu e das peças deste carro. Mas, se rodamos bastante com este carro desalinhado, brevemente os pneus e peças do mesmo sofrerão um desgate precoce e mais acentuado quando comparado a um carro alinhado.

Para se evitar o surgimento e minimizar o risco de lesões, faz-se necessário uma boa avaliação realizada por um fisioterapeuta com intuito de se corrigir as anormalidades biomecânicas, restringir movimentos potencialmente lesivos e orientar quais exercícios devem ser enfatizados nos exercícios físicos.

De uma forma quase geral, não existem exercícios físicos contra-indicados para pessoas. O que existe são determinadas pessoas contra-indicadas para realização de alguns movimentos presentes nas variadas modalidades de exercícios físicos.

Não podemos nos esquecer dos médicos para uma boa avaliação cardiológica e de outros fatores que possam levar os riscos a saúde e evitar problemas maiores como a morte súbita.

Portanto, exercício físico, emagrecimento e dieta devem ser bem orientados e conduzidos por uma série de profissionais que atuarão de forma interdisciplinar para assegurar a preservação da saúde das pessoas. Fujam dos exercícios e dietas milagrosas. Conscientizem-se de que a perda de peso deve ser gradual. Procurem profissionais sérios e competentes que possam ajuda-los a obter sucesso com metas realmente conquistáveis.

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