História vale ouro

O Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte aprovou nesta semana o tombamento patrimonial dos bairros Lagoinha, Carlos Prates e Bonfim. A justificativa para a proposta é a proteção e preservação de regiões que guardam um acervo arquitetônico de suma relevância para a história da cidade. Dada sua importância, o projeto foi aprovado e as iniciativas para sua execução já serão colocadas em prática.

A reunião foi aberta pelo presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira, que destacou sua crença na iniciativa conjunta da população com os órgãos públicos visando à proteção da memória de Belo Horizonte. Para ele, o tombamento pelo patrimônio histórico representa um desenvolvimento para a cidade.

O tombamento de bairros protege edificações que são de extremo valor para a história de BH. Há ainda a implantação de regras para as novas construções nos bairros tombados. A altimetria, por exemplo, deve ser respeitada para que se preserve, também, a visibilidade de marcos referenciais e as visadas privilegiadas – como é o caso da vista da Serra do Curral pelo Bonfim, que é uma das características do bairro.

Outra diretriz apresentada é a restauração dos imóveis que foram reformados clandestinamente e tiveram sua construção original modificada. Estes deverão ser reparados para que haja a recuperação de suas estruturas genuínas.

Os bairros tombados

Conforme previsto no projeto, os bairros escolhidos se situam nas áreas pericentrais de Belo Horizonte e não são conhecidos por sua exuberância arquitetônica e sim por preservarem histórias, muitas delas simples, mas de extrema significação na memória da cidade.

O Cemitério do Bonfim é o mais antigo de Belo Horizonte (Crédito foto: Rivelle Nunes)
O Cemitério do Bonfim é o mais antigo de Belo Horizonte (Crédito foto: Rivelle Nunes)

Nos primeiros anos da nova capital de Minas Gerais a região da Lagoinha serviu como polo de fixação para os imigrantes que não conseguiram se instalar nas proximidades do perímetro urbano. Muitos destes imigraram para Belo Horizonte para trabalhar, justamente, na sua construção.

Já entre as décadas de 1910 e 1920 lá foi instalado um ramal férreo, que permitiu o surgimento de estabelecimentos comerciais na região o que a transformou em um ambiente de maior sociabilidade e em uma zona boêmia. E esta característica desencadeou no estereótipo de que a Lagoinha era uma região violenta e marginal. Entretanto, em paralelo com essa “má fama”, houve no bairro a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do Ginásio Municipal e do Grupo Escolar Silviano Brandão.

Há registros de que antes mesmo da atuação da Comissão Construtora da Nova Capital, na antiga estrada para Venda Nova, hoje ruas Itapecerica e Formiga, as pedreiras da área já eram exploradas.

O bairro do Bonfim abriga o tradicional Cemitério do Bonfim, a mais antiga necrópole da cidade. Fundado no princípio de 1897, lá se encontram lápides e mausoléus esculpidos por artistas italianos nos mais diferentes estilos, dentre eles: Art Deco, Belle Époque e Modernismo Brasileiro.

Além do cemitério, observa-se no Bonfim um grande número de residências e prédios comerciais que seguem traços arquitetônicos comuns, o que o distingue de outros bairros de Belo Horizonte. Assim também ocorre no bairro Carlos Prates, que também é contemplado pelo projeto.

468 ad