Inaugurado

A reinauguração do Mirante Bandeirantes, cuja maior atração é o monumento “Eterna Modernidade”, marcou nesta terça-feira (13) a sequência de ações de requalificação da orla da Pampulha. Além do programa que prevê a revitalização dos outros quatro mirantes existentes em torno da Lagoa, há um projeto que contempla a construção de um museu e estratégias de fomento ao comércio e à gastronomia na região.

“Nesse programa de requalificação dos mirantes, começamos por  esse, com as esculturas. Em outro, pensamos em fazer dele uma área de descanso, com comida e banheiro. E assim por diante. Há um grande programa de requalificação da orla, no sentido de torná-la mais atrativa. Queremos facilitar as coisas para os edifícios da orla que estão se tornando mais comerciais. Isso já foi até conversado com o novo governo. Queremos criar também mais áreas de lazer e estar na orla”, afirmou Leônidas de Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura e futuro integrante da gestão do prefeito eleito Alexandre Kalil.

Três dos equipamentos do conjunto moderno vão ganhar cafés e restaurantes em 2017. São eles a Casa do Baile, o Museu de Arte da Pampulha (MAP) e a Casa Kubitschek. A licitação já está em andamento e a expectativa é de que estejam em funcionamento até o meio do próximo ano.

Outro projeto, este já em fase final de estudos, é a criação do Museu do Sítio, que vai funcionar numa península próxima ao MAP, no local onde seria construído o Hotel – conforme projeto original de Oscar Niemeyer. O museu de caráter interpretativo vai contar a história da Pampulha e será ponto também de embarcação para passeios aquáticos.

“Lá desse terreno, onde estão as bases do hotel de Niemeyer que acabou não sendo construído, é possível ver todo o conjunto moderno”, pontua Leônidas, referindo-se à possibilidade de se avistar a Igrejinha, o MAP, o Iate Clube e a Casa do Baile.

Inauguração

O Mirante Bandeirantes localiza-se na Avenida Otacílio Negrão de Lima (nº 4188), em frente à Casa Kubitschek. A obra de requalificação custou cerca de R$ 600 mil e foi viabilizada por uma parceria público-privada. A empresa patrocinadora foi a Patrimar.

O mirante ganhou novos bancos e iluminação, mas a cereja do bolo é o monumento “Eterna Modernidade”, obra da escultora Vânia Braga em parceria com o artista plástico Diego Rodrigues.

O projeto idealizado por Leônidas de Oliveira é um tributo a Juscelino Kubitschek e aos três principais artistas responsáveis pelo projeto arquitetônico da Pampulha: Oscar Niemeyer, Burle Marx e Cândido Portinari.

“Monumentos são formas de demarcar espacialidades e tempo. A ideia é que este mirante, localizado bem em frente à Casa que JK frequentou nos anos 40, se torne mais um lugar de encontro e de conhecimento da Pampulha e de sua contemplação. Queremos trazer a luz, para além dos edifícios e suas obras de arte, seus criadores. Interpretando a modernidade da Pampulha, fenômeno tipicamente brasileiro que aqui se deu nos idos de 1940 e agora é da humanidade também”, afirmou Leônidas Oliveira.

O monumento em bronze levou cerca de quatro meses para ser finalizado e é composto pelos quatro personagens em tamanho real. Um dos propósitos da obra é enriquecer e eternizar a história de criação do complexo. A artista reforça a importância da união entre seus colaboradores para finalização da obra dentro do prazo previsto. Segundo Vânia, não existiram feriados e nem finais de semana. “Diego teve um papel fundamental na execução da obra. Posso dizer que as esculturas foram moldadas a quatro mãos”, afirma ela.

“Nós estamos vivendo um momento mágico. Estamos no meio de uma crise e Belo Horizonte recebe um presente desses. Eu, que gosto muito de viajar, sei o quanto isso é importante para nossa cidade. Belo Horizonte vai ter um retorno enorme na área de turismo, os hotéis e restaurantes vão agradecer. E é uma honra participar desse projeto. A Patrimar é uma grande parceira da prefeitura de Belo Horizonte. Então, tudo aquilo que a prefeitura julgar que seja importante para a cultura, a Patrimar apoia”, disse Alex Veiga, proprietário da Patrimar.

Leônidas (E), Alex Veiga e a artista Vânia Braga em meio ao monumento inaugurado nesta terça-feira 13) na Pampulha
Leônidas (E), Alex Veiga e a artista Vânia Braga em meio ao monumento inaugurado nesta terça-feira 13) na Pampulha

Vânia Braga

Conhecida pela arte de linhas bem desenhadas e de estilo vanguardista, a artista, há 35 anos no mercado de artes plásticas, descobriu nos últimos 15 anos a paixão pelas esculturas, às quais se dedica unicamente. Ela foi a criadora do monumento de Chico Xavier, localizada na cidade de Pedro Leopoldo, o monumento do imigrante libanês, em Teófilo Ottoni, e da tão conhecida pantera Maternidade localizada no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte.

Apaixonada desde sempre pela Pampulha, aonde ia quando criança com seu pai, o grande artista plástico Alberto Braga, Vânia finaliza: “este é um marco muito importante na minha carreira como escultora. Ter um monumento meu no complexo da Pampulha, entre as obras de grandes artistas, é uma imensa responsabilidade, mas, sem dúvida um sonho que se tornou realidade”.

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