Infertilidade masculina

Durante muito tempo, a infertilidade masculina foi tratada como um tabu. No passado, a figura do homem estava relacionada a seu papel de provedor e o triste traço cultural do “machismo” jogou sobre as mulheres a responsabilidade exclusiva da infertilidade. Era inadmissível pensar que o homem não fosse capaz de “gerar filhos” e a própria ciência ainda não contava com muitos recursos acessíveis para dar esse diagnóstico. Mas, a realidade é bem diferente.

Segundo o médico Selmo Geber, especializado em medicina reprodutiva e membro da Clínica Origen, cerca de 40% dos casos de infertilidade estão relacionados a um fator masculino.

“Quando um casal apresenta dificuldades para engravidar, este é o primeiro ponto a ser investigado, devido, principalmente, à facilidade em se realizar o exame (espermograma) “, afirma.

O especialista acredita que ainda existem vários mitos relacionados ao tema e que a informação e o apoio de profissionais especializados são determinantes para o tratamento.

“Com o avanço da medicina reprodutiva, as causas masculinas de infertilidade têm um excelente prognóstico, ao ponto de hoje não podermos confirmar o diagnóstico de azoospermia ou dizer a um casal que eles não podem gerar descendentes sem que antes façamos uma biópsia testicular ampla”, esclarece o médico, ressaltando a importância de os homens, também, se preparem para a gestação, realizando exames prévios.

Para desmistificar as principais dúvidas sobre o tema, o Dr. Selmo Geber selecionou 9 verdades e 1 mentira sobre a infertilidade masculina. Confira:

1) Infertilidade é igual a impotência sexual
A dificuldade em se obter uma gravidez não está relacionada à uma dificuldade em se obter uma ereção. Em geral, a infertilidade pode estar relacionada a questões genéticas, hormonais, infecciosas, imunológicas ou ao uso de alguns tipos de medicamentos.

casal

Tipos de infertilidade

2) A ausência de espermatozóides no sêmen (azoospermia) pode estar relacionada a alguma obstrução que impede a saída dos espermatozoides ou a produção em quantidade alterada.

3) A diminuição do número de espermatozóides (oligospermia) é evidente quando a quantidade de espermatozóides é inferior a 20 milhões por ml. Esse fator reduz as chances de fecundação do óvulo dentro da trompa e, consequentemente, as chances de gravidez.

4) A diminuição da mobilidade dos espermatozóides (astenospermia) dificulta a sua chegada ao óvulo e, consequentemente, a fecundação. Isso é alarmante quando a capacidade de movimentação do espermatozoide for inferior à 50%.

5) A diminuição da proporção de espermatozóides com forma normal (teratospermia) é um fator de infertilidade. O formato do espermatozoide é sua característica mais importante, pois disso depende a capacidade de encaixar e penetrar a camada externa e entrar no óvulo. Quando há essa alteração em 30% dos espermatozóides a chance de ocorrer uma gestação torna-se bastante reduzida.

6) Alterações hormonais e alterações geradas em decorrência de cirurgias para retirada de tumores podem interferir na fertilidade do homem, como o uso indiscriminado de anabolizantes e esteroides e tumores produtores de hormônios. Um exemplo é a hiperprolactinemia – diminuição da produção de testosterona -, que muitas vezes está associada à impotência, à perda da libido e à diminuição na quantidade de relações sexuais. Essa causa é bastante fácil de tratar, sendo responsável por menos de 2% das causas de infertilidade masculina.

7) A Varicocele é uma causa ainda considerada controvertida, pois a relação entre a alteração e a diminuição da produção da qualidade do sêmen ainda não foi comprovada, apesar de que sua incidência é maior na população infértil do que na população geral. Várias são as teorias sobre suas causas, como o aumento do calor, a diminuição da oxigenação, o aumento da pressão retrógrada e o refluxo renal ou adrenal de substâncias tóxicas produzidas por esses órgãos.

Tratamentos

8) O tratamento medicamentoso é indicado aos pacientes com diagnósticos de alterações hormonais e infecções do trato genital, quando se usam antibióticos e antiinflamatórios.

9) Já o tratamento cirúrgico é recomendado em diagnóstico de obstrução, quando a presença de espermatozóides no testículo for confirmada. Pode ser realizada uma cirurgia para a desobstrução, mas os resultados são baixos. Por isso, essa recomendação deve ser restrita a casais com pouco tempo de infertilidade e com mulheres jovens. No caso de varicocele, como não existe consenso, sugere-se a cirurgia quando existem sintomas associados (dor).

10) As técnicas de reprodução assistida, na maioria das situações, são as melhores indicações para os diferentes tipos de alteração e sua intensidade. A decisão de qual técnica deverá ser utilizada será baseada na análise de um especialista, podendo ser a inseminação intra uterina, para grau leve; a Fertilização In Vitro (FIV), recomendada em casos de infertilidade moderada; e a injeção intracitoplasmatica de espermatozóides (ICSI), para a retirada de espermatozóides diretamente do tésticulo, em diagnósticos mais severos.

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