Lesão do manguito rotador no ombro

Popularmente, é conhecida como lesão de tendão no ombro. É uma patologia muito comum em mulheres acima da quinta década, jogadores de voleibol, tênis e peteca.

O manguito rotador é formado por quatro músculos que se originam na escápula e se inserem na cabeça do úmero: o supraespinhal (o mais comum nas lesões, que faz abdução do ombro), o infraespinhal, o subescapular e o redondo menor.

Cada músculo realiza um movimento para o ombro, e a função principal do manguito rotador é manter a cabeça do úmero encaixada na cavidade da escápula, a glenóide.

As lesões do manguito rotador representam um espectro de doenças que vão de uma tendinite aguda a uma lesão maciça, comprometendo todos seus componentes. O grande problema da articulação do ombro é a complexidade de suas estruturas e o reduzido espaço da articulação.

A causa geralmente é multifatorial: pode ser um processo degenerativo relacionado ao envelhecimento natural dos tendões (entesopatia), mudanças na vascularização do manguito ou outras alterações metabólicas associadas com a idade, em conjunto com sobrecargas do dia a dia, traumatimos ou até impactos sofridos na parte interna do ombro (Impacto Subacromial).

As lesões traumáticas podem ser causadas por quedas, com apoio sobre o membro superior, ou por esportes, como voleibol, peteca e tênis. O formato da ponta da escápula, conhecida como acrômio, está diretamente associada a lesões. Os tipos curvo e ganchoso são frequentemente associados a lesões do manguito rotador.

A estatística fala que 40% das mulheres acima de 60 anos têm lesões do MR, 50% acima dos 70 anos e 60% acima dos 80 anos. É uma estatística significativa para as mulheres.

O quadro clínico das lesões do MR é de dor, frequentemente referida na região anterior e/ou lateral do ombro, podendo irradiar para o braço. Geralmente, essa dor é mais intensa à noite, quando a pessoa se deita para dormir, com dificuldade para dormir do lado da lesão. Outro sintoma importante é a perda de força no ombro, principalmente para elevar o braço acima da cabeça. Pode-se ter também crepitações ao movimentar o ombro.

O diagnóstio é feito com a ressonância magnética ou a artro-ressonância, que mostra a lesão com clareza. A ultrassonografia do ombro e a radiografia sugerem lesões, porém não dão o diagnóstico claro.

O tratamento varia com o grau da lesão e com a condição dos tendões avaliados. Pode ser conservador, com fisioterapia, imobilizações, infiltrações, mudanças de atividades, compressas de gelo, anti-inflamatórios; também cirúrgico, com cirurgias abertas ou artroscópicas.

Em pacientes jovens, com tendinites e/ou lesões agudas e tendões em boas condições, indica-se fisioterapia ou tratamento cirúrgico. Nas lesões crônicas, ou quando se tem degeneração importante do tendão, trata-se de forma conservadora.

Pense em um tecido que está velho. Mesmo que você tenha a melhor das linhas de costura, o tecido irá rasgar. É isso que acontece quando há degeneração importante dos tendões. Por isso se trata de forma conservadora.

Cerca de 70% a 100% dos pacientes tratados cirurgicamente relatam melhora satisfatória da dor no ombro. O grande problema de uma lesão do MR não tratada é o encurtamento e atrofia que pode ocorrer no músculo e consequentemente no tendão. Isso torna o tratamento mais difícil em um segundo tempo e a recuperação bem mais lenta, pois será necessário ganhar a força perdida ao longo do tempo e recuperar essa musculatura que está fraca.

O tratamento conservador pode não levar à melhora do quadro. As complicações da cirurgia são: lesões de nervos, do músculo deltóide, infecções, recorrência da lesão e a capsulite adesiva, ou o ombro congelado.

Se seu ombro dói, procure seu ortopedista. As atividades diárias ficam mais difíceis sem o movimento dos ombros…

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