Malandramente, o lixo e o luxo

Minha caminhada matinal neste domingo começou ao som da “pérola” da vez da nossa indústria cultural. O hit “Malandramente”.

Não faz parte da minha lista de músicas, mas era o som que estava rolando na Nova Praça da Pampulha em um evento de corrida feminina.

E a mulherada suou na corrida e estava requebrando com músicas do tipo.

Confere aí…

Malandramente, como sempre, segui a caminhada tentando bisbilhotar as conversas alheias. Cem metros, 200, 300… 500… Um quilômetro depois e nada!!!

Não ouvi nada de interessante ou simplesmente não ouvi. Estava difícil.

Daí resolvi me concentrar na margem e na Lagoa. Decidi clicar tudo o que me chamasse a atenção.

Não demorou para o lixo candidatar-se ao protagonismo. Daí cliquei…

Mas logo percebi que o lixo não está só.

Havia o luxo logo ao lado.

Lixo e luxo, juntos.

Daí cliquei…

E vi depois que havia também o luxo puro.

Sim, há somente o luxo na Lagoa.

Quando o lixo deixa, o luxo se sobressai.

Como se fosse um belo quadro na parede.

Daí cliquei…

aves, pampulha

Caminhada que segue, avistei um trio de idosos. Uma senhorinha bem baixinha, tipo um metro e meio, acompanhada de dois coroas. Setenta anos e bordoada para cada um.

Certamente, juntos, superam 220 anos.

“Fiz 12 quilômetros ontem. Faço a Lagoa toda com frequência”, disse a senhorinha aos parceiros.

Toma, distraído!

Eu, do alto da minha idiotice, olhando com compaixão desnecessária para o trio, logo vi que a plasta sou eu.

Ela faz a Lagoa rotineiramente, ou seja, 18Km. E eu estou estacionado em caminhadas de 5Km há quase um ano.

Bola para frente, meia-volta volver.

Caminho de forma introspectiva.

Clima quebrado, bla-bla-bla na área.

“Houve uma desavença entre os dois casais”, diz uma mulher que passa conversando com um cara.

Mais adiante, outro casal matraqueando.

“O Sergio que se vire, está trabalhando agora, tem uma filha criada. Praticamente não tem despesa.”

E, mais adiante, mais outro.

“Ela tem um baú enorme lotado de roupas de crianças. Para quê??? Nem para os filhos da irmã dela servem mais”, diz a mulher.

“Pois é. Ela é muita apegada com essas coisas. Só velharia! Não faz sentido ficar guardando isso”, emenda o cara.

Nossa…

Quanto lixo de assunto.

Chega de gente falando mal de gente!

Vou me dar ao luxo de ignorar.

O lixo e o luxo, lado a lado novamente.

Ufa…

Ainda bem que a caminhada terminou.

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