Marcas do mau comportamento

Em uma caminhada mais atenta pela Fundação Zoo-Botânica (FZB), entre recintos de mamíferos, aves e répteis, é possível atentar-se para alguns cenários de pichação de plantas. Sim, pichação. Na verdade, é dessa forma que funcionários e técnicos do espaço costumam se referir às marcas deixadas por visitantes na vegetação do local.

Bem em frente da sede administrativa da FZB, por exemplo, vê-se uma série de inscrições feitas pelas pessoas em algumas Palmas, um tipo de cacto bem comum na Região Nordeste do Brasil. Normalmente, são nomes, mensagens e datas registrados com materiais pontiagudos que geram feridas nas plantas. “Bruna”, “Kelly”, Luciana”, “Jasmin”, “Júnio” e “Love” foram uns dos registros verificados pela reportagem.

“Dependendo da profundidade, o corte pode interferir no processo de condução da seiva e matar a planta. Independentemente disso, o fato é que as plantas não estão ali para isso, né?”, reclama o biólogo Humberto Mello, gerente de educação ambiental da FZB.

Visitantes  observam o recinto dos gorilas: gritar não é recomendável
Visitantes observam o recinto dos gorilas: gritar não é recomendável

A pichação de plantas, na verdade, é apenas um dos comportamentos inadequados de parte dos visitantes. A falta de asseio, com lixos e resíduos atirados ao chão, é outro problema comum, bem como a postura com os animais. Não é raro flagrar as pessoas gritando perto dos recintos ou mesmo alimentando os bichos.

O educador ambiental explica que o que é comida para os humanos pode trazer doença para os animais, e que a FZB tem uma seção de nutrição que programa dietas balanceadas para cada tipo de animal:

“Algumas das pessoas que dão comida acreditam que estão fazendo uma bondade, mas isso é por falta de informação.”

Houve casos de visitantes dando balas e doces a um cimpanzé. “Os primatas tem essa interação, esticam a mão, bem como os peixes, que se aproximam da margem, daí as pessoas jogam comida para eles”, diz o biólogo.

Outro exemplo, este mais contundente, diz respeito ao grupo de micos estrela que vive livremente no bioma da área da FZB. “Tivemos uma perda de animais porque eles eram alimentados pelas pessoas. Foram contaminados com um vírus, ligado à herpes, que é transmitido pelo ser humano”, relata Mello.

O biólogo explica que a FZB vem fazendo o possível para informar o público. Um manual do bom visitante consta, inclusive, no mapa da Zoo-Botânica que é entregue na bilheteria. Confira as dicas que constam neste guia de comportamento recomendado.

Por onde passam os visitantes há sempre um rastro de guardanapos, plásticos e outros resíduos
Por onde passam os visitantes há sempre um rastro de guardanapos, plásticos e outros resíduos

RECOMENDAÇÕES PARA UMA BOA VISITA

Proteja-se do sol e hidrate-se

Tenha paciência, pois nem sempre os animais estarão facilmente visíveis no recinto. Os recintos são ambientados visando principalmente o bem-estar dos animais

Observe o comportamento dos animais: alguns são calmos, outros agitados, por natureza

Faça um passeio tranquilo, não grite, não alimente e nem atire objetos nos animais, lembrando que está visitando a casa deles. Cada animal possui uma dieta própria

Passeie pelos jardins admirando a beleza e as adaptações das plantas. Não arranque mudas, ajude-nos a cuidar delas

Mantenha a Zoobotânica limpa. Jogue o lixo somente nas lixeiras

Não ultrapasse as cercas de proteção. As barreiras existem para a segurança das pessoas e, também, dos animais

As bilheterias foram instaladas no interior da Zoobotânica para sua melhor segurança. Após estacionar o veículo, pague logo o ingresso, evitando filas e tumulto ao sair

Obedeça a sinalização. Reduza a velocidade e estacione nos locais permitidos

Respeite as vagas e os acessos reservados para pessoas com deficiência

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