Marcas do que se foi

Noite de terça-feira 16 de agosto. Em um aconchegante e notório café bar no coração da Savassi, entre uma caipirinha e outra intercalada por chopp artesanal mineiro, Paul Ford, coordenador geral da equipe olímpica do Reino Unido, olha nos olhos do interlocutor e dispara:

“Você tem o melhor centro de treinamento da América Latina. Cuide para que isso não acabe.”

Ao ouvir isso, o doutor em educação física Luciano Sales Prado sorri, orgulhoso. Ele é o diretor do Centro de Treinamento Esportivo (CTE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que sediou por 30 dias a preparação de grande parte do Team GB, como é conhecido o time olímpico britânico.

Paul Ford se encantou não só pelo imponente CTE que custou R$ 44 milhões ao governo estadual e à UFMG, mas também por BH. Quis uma despedida em grande estilo da capital mineira, com uma noite regada a cachaça e cerveja, e com direito a muita carne.

Paul estava acompanhado do assistente Lewis Coggins e de outros dois integrantes da comissão técnica do Team GB. O quarteto foi ciceroneado por Luciano e por Anna Pimenta, que atuou como assessora do time britânico no Brasil.

“Eles (os britânicos) ficavam olhando para a caipirinha e dizendo: ‘isso é fantático, é maravilhoso, sensacional!!!'”, conta Luciano, às gargalhadas.

Já bem animadinhos, após incontáveis rodadas do legendário drink nacional, a patota esticou a noite do café a um famoso restaurante especializado em rodízio de carnes nobres. E os elogios passaram da caipirinha às picanhas.

Luciano Sales recebe homenagem dos britânicos do Team GB  pelo bebê que vem aí
Luciano Sales recebe homenagem dos britânicos do Team GB pelo bebê que vem aí

“Sensacional, sensacional!”, repetiam os ingleses aos brasileiros.

Os laços com os visitantes ficaram tão fortes que Luciano recebeu até uma homenagem informal já no momento da sobremesa. Com a namorada Cecília grávida de apenas três semanas, ele ouviu dos gringos um happy birthday ao futuro bebê, com direito a vela faísca.

“O restaurante parou… (Risos). Eu disse a eles: ‘eu era um cara normal quando vocês chegaram ao Brasil. Agora vocês vão embora e eu vou ser pai de novo”, relata Luciano.

Os britânicos deixaram muita coisa além da amizade. A passagem rendeu à UFMG 85 mil libras esterlinas, o equivalente a cerca de R$ 360 mil. O Team GB ainda doou equipamentos de treinamento de força e fisioterapia à academia do CTE, avaliados em quase R$ 50 mil. O sofá nas cores da bandeira britânica no hall de entrada do CTE também ficam como presente.

Diretor Luciano mostra equipamentos de treino de força herdados do Team GB pela academia do CTE  da UFMG
Diretor Luciano mostra equipamentos de treino de força herdados do Team GB pela academia do CTE da UFMG

Um intercâmbio técnico-científico firmado entre a UFMG e a BOA (Associação Olímpica Britânica) e a BPA (Associação Paralímpica Britânica) promete render estudos e pesquisas relevantes.

Já há pelo menos três projetos de pesquisa definidos em conjunto. Um é sobre legado olímpico e outro sobre os efeitos do estresse nos atletas durante o período de preparação olímpica em diferentes contextos culturais de várias delegações.

Um ainda mais curioso é sobre os efeitos do açaí em respostas dos atletas às     diferentes cargas de treinamento. Este estudo será feito por Luciano e por Nathan Lewis, fisioterapeuta do Instituto Britânico de Esportes.

Entre dividendos e legados científicos, ficaram também brindes e lembranças. Bonés, camisas, toucas de natação, bottons e outros itens do Team GB foram distribuídos a diversos funcionários do CTE. Israel Bueno, gerente administrativo do CTE, ganhou boné e camisa, por exemplo.

Enfim… Uai e why nunca foram tão íntimos. E a história vai ganhar novos capítulos.

Nesta terça-feira (23), é a vez da delegação paralímpica do Reino Unido aportar por aqui, onde também vai se preparar com vistas à Paralimpíada do Rio 2016.

Israel Bueno ganhou boné e camisa do Team GB
Israel Bueno ganhou boné e camisa do Team GB
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