Não seja vítima da “empurroterapia”

A Empurroterapia é uma prática utilizada por concessionárias e muitas oficinas, especializadas ou não, que consiste em oferecer serviços que trazem benefício apenas para quem os comercializa, nunca para quem paga pelo trabalho. Pergunte a uma pessoa que já fez revisões quantas vezes ela achou o preço dos serviços altos demais e, principalmente, imaginou não ser necessário?

Na maioria das vezes que é oferecida, a descarbonização está entre os serviços feitos sem necessidade. Nesse caso, estamos diante da prática de empurroterapia. Mas como saber se estamos diante de um serviço necessário ou não? Você sabe quando e se esses serviços são realmente necessários? Nessa matéria, listamos alguns serviços que devem ou não ser feitos.

1. LIMPEZA DE BICO
O que é: trata-se de um procedimento que consiste na remoção de obstruções que comprometem o funcionamento da válvula injetora, também chamada de bico injetor – o corpo cilíndrico armazena o combustível pressurizado e uma agulha móvel atua como responsável pelo controle da vazão do combustível.
Quando fazer: fabricantes de automóveis e sistemas de injeção garantem que os bicos são autolimpantes, sendo difícil ou quase impossível a formação de resíduos. O que significa que uma oficina nunca deveria sugerir a limpeza como manutenção preventiva, apesar de essa ser uma desculpa comum. De fato, só poderá ser feita em casos excepcionais, quando há acúmulo de partículas que alteram o spray de combustível.

carro

2. FLUSHING
O que é: o flush é um aditivo com alta concentração de detergentes que agem com o motor funcionando minutos antes da troca de óleo. Dessa forma, o flushing é a limpeza do sistema de lubrificação do motor, para impedir ou eliminar a borra, que é o acúmulo de resíduos de óleo oxidado.
Quando fazer: muitos dizem que trata-se de um serviço desnecessário, pois não existe o momento ideal de fazer o flushing. O serviço é incapaz de remover resíduos que se formam nos capilares do sistema de lubrificação. “Se o motor estiver com grandes depósitos de borra, o melhor é desmontá-lo e efetuar a limpeza completa de todos os componentes internos”, diz o consultor técnico e responsável pelos desmontes da frota de Longa Duração da Quatro Rodas, Fábio Fukuda.

3. DESCARBONIZAÇÃO
O que é: limpeza do motor, mas relacionada às peças que estão em contato direto com a combustão interna, feita com um produto químico específico. Pistões, câmaras de combustão, válvulas e até mesmo dutos de admissão estão sujeitos à carbonização, que é a formação de depósitos de carbono, resultado de uma combustão incompleta.
Quando fazer: só quando os depósitos de carbono comprometerem o funcionamento do motor. O principal sintoma é a falha na vedação nas válvulas, o que reduz o desempenho e aumenta o consumo. Em casos extremos, pode levar à pré-detonação (batida de pino), que pode até furar o pistão. Como o flushing, a eficiência é discutível. “A carbonização é de difícil remoção até mesmo por processos físicos como a abrasão, imagine com um produto químico”, diz Fukuda. O consultor técnico explica que um processo químico como os oferecidos no mercado pode até atenuar os efeitos de uma carbonização leve, mas não será capaz de propiciar uma limpeza interna totalmente eficaz.

4. HIGIENIZAÇÃO DO AR-CONDICIONADO
O que é: o objetivo é eliminar fungos e bactérias que se desenvolvem no sistema. Por ser um equipamento que está sempre úmido, a sujeira acumulada nele acaba se tornando o ambiente ideal para proliferação de microrganismos.
Quando fazer: nos modelos sem filtro, a higienização deve ser feita a cada 15.000 km. Se o carro roda pouco, o ideal é a cada seis meses.

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