Nem São Francisco de Assis lhes salvará…

O breve relato a seguir é de um passeio de um sábado inteiro feito pelo meu doutorando Rogério Fonseca, professor da Universidade de Manaus, especialista em Ecologia de Manejo de Fauna. Essa é a visão de um pesquisador com a qual eu concordo. Trata-se de uma visão não institucionalizada focada em problemas que afetam a saúde pública.

Durante essa caminhada no entorno da represa, ele registrou dermatites em capivaras, bois, cavalos, cães e gatos que supostamente poderia ser de Leishmaniose. Portanto, sugerimos maiores investimentos para investigar não só a febre maculosa, mas pesquisar também outras doenças nesses habitantes da nossa lagoa. Se não ajudarmos, sequer São Francisco de Assis lhes salvará… ou nos salvará…

Confira o relato dele:

“Em 1943, quando da inauguração da Igreja de São Francisco de Assis, os  administradores da cidade na época sequer se davam conta do que estava por vir… Recentemente, tivemos a perda de um jovem cidadão belo-horizontino que contraiu a febre maculosa ao passear não muito longe da famosa igrejinha.

Essa tragédia fez com que autoridades sanitárias focassem seus olhares na interação negativa causada por doenças transmitidas por animais que vivem na Pampulha. É quase certo que alguns animais silvestres (não domésticos), habitantes da orla da represa, provavelmente estejam associados à transmissão da febre maculosa, uma doença que pode matar.

Na Lagoa da Pampulha, residem vários animais silvestres, além da capivara. Ali, temos jacarés, tartarugas e diversos animais domésticos tais como cavalos, bois, cães e gatos (estes dois últimos abundam sem controle inclusive dentro do Zoológico da Capital).

Sendo assim, podemos considerar estes animais como uma fonte “inesgotável” para parasitas externos, tais como os carrapatos-estrela que podem ter a bactéria Rickettisia rickettisii causadora da febre maculosa.

As doenças que residem em alguns desses animais do entorno da Pampulha são as mais diversas possíveis, mas algumas chamam muita atenção devido a seu potencial de letalidade, pois seus hospedeiros temporários se sobrepõem a alguns dos animais citados acima, como é o caso da Fasciolose, Tripanossomíase eqüina, Febre aftosa, Toxoplasmose, Brucelose, Leishmaniose e a Raiva (veja os animais que fotografei no entorno da Lagoa no sábado 1º de outubro).

capivara
cães
cágado
jacaré

Várias dessas doenças sequer são citadas pelas autoridades de Belo Horizonte, mas elas podem abundar em rico ambiente tanto de silvestres como de animais domésticos. Afinal, no entorno da Pampulha, residem várias dessas populações de animais, em densidades muito maiores do que pensamos e vemos e nem sempre com o devido controle sanitário.”

(*) Rogério Fonseca é doutorando em Ecologia pela UFMG

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