Nota de repúdio

A Reitoria da UFMG divulgou nesta sexta-feira (18) nota em que repudia a ação da Polícia Militar de Minas Gerais, que, na manhã desta sexta, interveio para dispersar membros da comunidade universitária – estudantes, professores e servidores técnico-administrativos –, além de estudantes secundaristas, que promoviam manifestação na avenida Antônio Carlos contra a PEC 55, que limita os investimentos públicos nos próximos 20 anos.

A nota destaca que “leal à sua história de compromisso com a sociedade, a UFMG reitera, nos termos da nota do Conselho Universitário, de 17 de novembro de 2016, o reconhecimento ao livre direito de manifestação e o repúdio a violações de direitos humanos e a quaisquer atos de violência contra membros da comunidade universitária e da sociedade”. Clique ao lado para ampliar a nota.

Nota

A ação da PM foi considerada inadequada pela UFMG, pelo excesso de força contra os manifestantes.

Denúncia na Assembleia

Parte do estudantes que participaram da manifestação em frente a UFMG compareceram a duas reuniões de comissões da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na tarde dessa sexta, para denunciar a violência policial e pedir punição aos policiais envolvidos. As denúncias foram feitas em reuniões das Comissões de Direitos Humanos e de Educação, Ciência e Tecnologia.

Durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos, os estudantes exibiram um vídeo que mostra os policiais entrando na UFMG para perseguir os manifestantes, que fugiam após a explosão de bombas de efeito moral. Segundo os estudantes, a repressão à manifestação resultou em 15 feridos, inclusive pessoas que receberam tiros de bala de borracha nas costas, quando fugiam. A manifestação era contra as propostas federais de reforma do ensino médio e de congelamento dos gastos públicos por 20 anos.

A Comissão de Direitos Humanos aprovou um requerimento para que se solicite ao governador, entre outras providências, a instauração de processo administrativo disciplinar para apurar os atos dos policiais envolvidos no conflito. O presidente da comissão, deputado Cristiano Silveira (PT), leu uma nota divulgada pelo governador Fernando Pimentel, em que ele expressa o respeito à liberdade de manifestação e garante que os excessos ocorridos serão devidamente apurados. Os deputados afirmaram que procurariam o governador ainda nesta sexta-feira (18) para cobrar providências.

“Acho que está havendo uma omissão do governador”, cobrou o estudante secundarista Thiago Santos, um dos que participou da manifestação. Ele salientou que a repressão policial às ocupações e protestos realizados pelos estudantes já vem acontecendo desde as eleições municipais. E também criticou a cobertura realizada pela imprensa do conflito ocorrido nesta sexta (18). “A mídia não é democrática, não vê os dois lados da história”, afirmou.

Estudantes acusam a imprensa de parcialidade

A estudante Giovana Almeida, do curso de Geografia da UFMG, afirmou que o vídeo exibido na Assembleia mostra que são mentirosas matérias exibidas pela TV Globo sobre o caso. “Eles disseram que os estudantes jogaram pedras e galhos nos policiais. Isso é mentira. O vídeo mostra que não fizemos isso. Os policiais não estavam com identificação e a polícia não negociou conosco em nenhum momento”, afirmou.

A professora Ana Flávia Santos, do Departamento de Antropologia da UFMG, disse que foi testemunha da repressão policial à manifestação estudantil. “Não havia nenhum tipo de ameaça por parte dos estudantes. Às 10h49, os estudantes anunciaram que a manifestação se encerraria às 11 horas. Acho inadmissível o que aconteceu. Os policiais sabiam que ela ia acabar. Acho que foi um ato premeditado (da polícia)”, afirmou a professora.

O estudante universitário Gabriel Lopo disse que o movimento estudantil está sendo vítima de “tenentes fascistas” da Polícia Militar. Segundo os participantes da manifestação, dois oficiais se sucederam no comando do destacamento que acompanhou o protesto na Pampulha. O primeiro, segundo eles, teria negociado com os estudantes, mas o segundo teve uma atuação truculenta e comandou a repressão.

Durante a manifestação, segundo Thiago Santos, um dos policiais acusou os estudantes, repetidamente, de estarem sendo pagos pelo PT. “O senhor é que está sendo pago para estar aqui, reprimindo os estudantes”, disse Santos, relatando a resposta que deu ao policial.

Agência UFMG e Notícias ALMG
Foto de capa do portal: reprodução Facebook 

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