O mau cheiro na Lagoa da Pampulha

Conforme citado em texto anterior, o odor é uma das características mais facilmente percebidas quanto à qualidade da água. A água pura não possui cheiro. Porém, várias substâncias podem estar presentes e estas podem apresentar odores característicos. Assim, é comum que uma amostra de água de rio, lago ou reservatório apresente algum cheiro.

Se a água contiver substâncias de odor desagradável, vários tipos de uso são evitados ou impedidos, como a captação para abastecimento, o consumo ou mesmo a realização de atividades de lazer.

Um ambiente aquático que recebe grande quantidade de esgoto deverá apresentar mau cheiro. Nem sempre o mau cheiro resulta diretamente do odor que o esgoto possui. Há vários casos em que as substâncias presentes no esgoto são primeiramente degradadas, passando a formas que realmente possuem odor mais desagradável.

Assim, apesar de muitos produtos industriais conferirem odor à água, o mau cheiro geralmente é causado pela liberação de gases produzidos por bactérias que crescem na água contaminada. Entre estes gases, destaca-se o sulfídrico.

O gás sulfídrico possui enxofre em sua fórmula e um mau cheiro geralmente descrito como odor de “ovo podre”. É produzido por bactérias que crescem bem em ambientes pobres em oxigênio. Como o fundo de lagos e reservatórios poluídos geralmente possui baixas concentrações de oxigênio, as condições são favoráveis para essas bactérias.

O resultado é a produção de grande quantidade de gás sulfídrico, que é liberado para a atmosfera. Assim, quem caminha pela orla da Lagoa da Pampulha comumente percebe mau cheiro em diferentes pontos.

O mau cheiro pode ficar mais ou menos intenso, dependendo da direção do vento. Porém, por que ele é quase sempre constante próximo à barragem, no final da Avenida Antônio Carlos?

Isso ocorre porque os gases são liberados com mais facilidade quando a água é agitada. Assim, o vertedouro (tulipa) da Lagoa, localizado próximo à barragem, é o ponto no qual um grande volume de água cai de uma altura considerável e seu borbulhamento libera gás sulfídrico.

Situações similares ocorrem nas estações de tratamento de esgotos (ETEs) e, caso haja residências próximas a essas áreas, é comum que ocorram conflitos entre empresas sanitárias e sociedade. O importante é que haja diálogo sobre como minimizar o problema. Além disso, é fundamental que cada vez mais a população se conscientize do quanto esses gases são prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

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