O novo prefeito e a Pampulha

Em breve, teremos um novo prefeito em BH. Como sempre, muitas promessas para serem cumpridas. Costumo dizer que a Pampulha tem uma triste ligação com a política dos homens. A poluição e a degradação que observamos em toda a represa tem se revelado, ao longo dos anos, em uma inesgotável fonte de votos para os todos os prefeitos eleitos nessa cidade. Ela tem a triste sina de trazer mais votos enquanto poluída. Quanto mais suja ela estiver, mais votos!

Tenho escutado, ao longo dos últimos quarenta anos, muitas promessas feitas pelos políticos para salvar a Pampulha. Infelizmente, nenhum dos últimos prefeitos conseguiu a proeza de sanear completamente a represa. E o pior é que trata-se de uma pequena lagoa, quando comparamos com outros casos de lagos urbanos já completamente saneados mundo afora.

Não vou colocar a culpa exclusivamente nos políticos. Afinal, eles são eleitos por todos nós, cidadãos. Queiramos ou não, eles representam. O fato é que a sociedade belo-horizontina e brasileira somente muito recentemente acordou para o enorme significado do meio ambiente para a manutenção e melhoria de nossa qualidade de vida.

Mudanças climáticas, tragédias ambientais (enchentes e secas), alimentos contaminados com agrotóxicos, aumento da poluição atmosférica nas cidades causam hoje preocupação a todos. Até mesmo a conservadora OMS reconhece que existe um aumento dos casos de câncer em toda a sociedade moderna. Essa é uma doença que atinge cada vez mais pessoas e cada vez mais jovens. O aumento do câncer e de tantas outras doenças em nossa sociedade moderna são consequências da degradação sem limites do meio ambiente.

E onde se insere a represa da Pampulha nesse panorama sombrio? Ela é apenas mais um ícone que muito bem representa o quanto a sociedade de Belo Horizonte realmente se preocupa com meio ambiente. Deixamos a mineração mutilar a Serra do Curral. Cobrimos os nossos regatos e córregos com concreto e ainda festejamos a construção do Boulevard Arrudas.

Inúmeras reservas florestais importantes, em toda a região metropolitana, estão seriamente ameaçadas. Comemoramos, com alegria, cada novo viaduto, cada nova via expressa, cada nova trincheira. E muita gente boa nessa cidade acredita, comm convicção, que andar de ônibus ou transporte público é só para gente pobre! Obviamente, o nosso descaso em relação ao meio ambiente não pode ser creditado a esse ou aquele prefeito. Somos todos nós, os grandes culpados por deixar tudo aí como está.

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