O ombro do nadador

Nesse último fim de semana acompanhei mais uma etapa da Copa Mundo de Natação e tive a felicidade de assistir à Felipe Lima, nadador do Minas, ganhar duas medalhas para o Brasil, uma de ouro e outra de prata, o que me inspirou a escrever sobre o assunto.

São inquestionáveis os benefícios inerentes a esse esporte, entretanto, a sobrecarga também pode resultar em lesões. As lesões do ombro são as mais frequentes. Alguns estudos apontam que mais de 50% dos nadadores apresentam ou já apresentaram queixas dolorosas da cintura escapular.

Dessas lesões, a tendinite do manguito rotador é a principal apresentação, ocorrendo, especialmente, em nadadores dos estilos crawl e borboleta. A sobrecarga no ombro decorrente do movimento repetitivo durante a braçada, sobretudo com a técnica inadequada, pode provocar a inflamação dos tendões dos músculos envolvidos bem como o atrito das estruturas articulares, causando dor.

A dor é o principal sintoma. Ela é pior à noite e piora com os movimentos de elevação do ombro. Também pode irradiar para região escapular e próxima da cervical, mas deve ser mais intensa no ombro.

Os exames mais utilizados para o diagnóstico são a radiografia, para descartar outras doenças e avaliar o formato do acrômio e a presença de esporões, e a ressonância magnética. A ultrassonografia também permite a avaliação dos tendões do manguito, mas apresenta uma acurácia inferior à ressonância e depende muito da interpretação do examinador.

Para evitar essas lesões é importante corrigir a técnica através da maior coordenação dos movimentos e evitar a sobrecarga. O tratamento é o uso de anti-inflamatórios, gelo local e repouso associados à fisioterapia, objetivando a recuperação muscular a fim da retomada ao esporte.

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