O que você vai ser quando crescer?

Se perguntar a uma criança no Brasil o que ela vai ser quando crescer, a grande maioria incluirá entre as diversas opções o desejo de ser um jogador de futebol. É impressionante como a figura do jogador exerce este fascínio sobre as crianças! Mas que jogador é este com o qual as crianças se identificam e pelo qual projetam seus desejos? Sobretudo nas classes menos favorecidas financeiramente, é notório como a busca deste sonho cria uma enorme expectativa, não só na criança, mas também na família e pessoas mais próximas.

Os pais apostam no sucesso do filho como forma de ascensão social e financeira. Quantos casos já vimos e sabemos de crianças que viveram este sonho, mas por diversas razões não chegaram a realizá-lo?! Hoje no Brasil se tornar jogador de futebol de time de série A é mais difícil que passar no vestibular de medicina!

Não preciso aqui apontar os benefícios do esporte em todas as suas vertentes, mas quando o esporte entra como agente determinante na obtenção de uma vida melhor e mais digna me faz refletir no perigo de se viver esta “viagem”.

Não sou contra a formação de um atleta. Muito pelo contrário, considero fantástico o processo de treinamento que consolide e estruture a formação da especialização esportiva. Porém, o que muito me preocupa é este sistema de formação brasileira do atleta de futebol.

Se não der certo, se não alcançar este sonho, o que este futuro adulto será na vida? Ele está preparado para vivê-la?

A imensa maioria dos meninos que estão nas categorias de base dos clubes não tem uma formação educacional adequada que os permita , caso não vençam no futebol,  seguir um outro caminho profissional com sucesso.

O modelo de formação de atletas não só do futebol mas também de outras modalidades esportivas deve seguir o modelo de formação que priorize o estudo , a formação básica educacional, e, desta forma, oriente a prática esportiva com uma nova perspectiva.

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O esporte é fundamental na vida de uma sociedade saudável e desenvolvida, mas a formação de futuros heróis esportivos não pode relegar o estudo ao segundo plano.

São poucos os clubes que oferecem uma condição favorável e digna para que este atleta em formação  possa desfrutar no futuro. Hoje em BH, América, Atlético e Cruzeiro são exemplos de clubes que investem na formação educacional de seus atletas. Mas a realidade e estrutura destes clubes representa uma parcela mínima de clubes que são realmente  formadores de qualidade.

A formação do atleta no Brasil precisa urgentemente ser reformulada e  deve- se criar uma nova característica de modelos de formação  esportiva. O futebol que exerce um fascínio nas crianças brasileiras, seja nas escolas, nas ruas, nos campos de várzea e nos clubes precisa ser entendido e estudado sob uma nova perspectiva e entendimento social.

A realidade do futebol brasileiro não é tão boa como se faz acreditar. Uma grande parcela da categoria profissional de jogadores ganha um salário mínimo. Uma outra grande parcela está desempregada.

Para se tornar um verdadeiro atleta da bola é necessário mais de 10 mil horas de treino (expert), além do dom, é claro. É necessário abdicar do convívio social e de uma vida típica de adolescente. As baladas e festas são trocadas pelos travesseiros da concentração. A carga física de treinos é muito alta e a pressão psicológica por resultados e performances leva a um desgaste físico -emocional dos atletas muito acima dos aceitáveis para a idade.

Você que é pai, parente e/ou amigo de um atleta em formação, procure aconselhar e orientar com mais clareza. Se tornar um jogador de futebol no Brasil é um processo que deve ser bem orientado pela família.

Vamos fazer as crianças praticarem esporte para e pela educação. Sem pressão de resultados, deixem-nas brincar e jogar com suas bolas, suas raquetes e suas chuteiras! Não forcem as crianças a serem um Neymar, um Messi ou um Cristiano Ronaldo da vida! Deixa a vida levar e se encarregar de mostrar o melhor caminho!

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