Parece complicado, mas é possível

É comum que as pessoas que trabalham com qualidade de água sejam abordadas pelo público leigo com perguntas sobre a possibilidade de um corpo de água ser despoluído. Porém, é triste notar que muitas pessoas não acreditam ser possível recuperar um corpo de água degradado, como a Pampulha.

Os custos para esse tipo de recuperação são elevados, mas ela é possível. Ter essa percepção é importante justamente para que a sociedade não abandone o corpo de água à sua própria sorte, deixando de cuidar e também de cobrar cuidados por parte do poder público.

Mas por que parece tão difícil recuperar um lago ou reservatório degradado? O que ocorre é que a recuperação de um corpo de água urbano envolve uma série de conflitos sócio-econômicos que precisam ser compreendidos e resolvidos para que os trabalhos possam render os resultados esperados.

Embora os mais poderosos agentes de manejo sejam as instituições federais, estaduais ou municipais, a sociedade precisa entender melhor o problema para contribuir para a preservação do corpo de água.

Uma das maiores dificuldades quanto aos tomadores de decisão é o fato de que a preservação e o manejo das bacias hidrográficas envolvem custos muito elevados. Assim, muitos políticos evitam executar medidas proativas, principalmente aquelas que poderiam representar um peso financeiro para a população.

Porém, uma vez que os tomadores de decisão sérios geralmente direcionam os investimentos segundo suas percepções quanto ao desejo de seu público votante, a sociedade precisa estar bem informada e com argumentos embasados para que exerça a pressão necessária.

Uma população mal informada pode apresentar demandas errôneas e justamente por isso gerar gastos desnecessários, geralmente decorrentes de estratégias que não surtem efeitos positivos.

Os meios de comunicação, por exemplo, devem manter a população mais bem informada sobre todo o processo de degradação, sobre meios de conter ou minimizar o problema, sobre exemplos de recuperação no Brasil ou em outros países etc. Geralmente, isso não acontece, e o enfoque é dado somente em problemas pontuais, como as enchentes.

A população acaba pouco informada sobre alguma tragédia. Entretanto, a informação continuada sobre todo o processo de degradação quase não existe e pouco se aprende sobre direitos e sobre como pressionar por alguma mudança. É necessário que a sociedade entenda que as informações sobre a piora gradual na qualidade da água e sobre a perda do valor ecológico de um corpo de água são mais importantes que esses eventos pontuais.

A preservação vai muito além das inundações, pois envolve questões sobre integridade ecológica, qualidade da água, saúde pública, planejamento urbano e rural, qualidade de vida etc. Somente a partir da percepção adequada da sociedade é que serão solicitadas melhorias pertinentes e, assim, os projetos também deverão ser mais úteis e adequados.

Assim, os custos, ainda que elevados, podem ser justificados pela grande importância sócio-econômica dos projetos, desde que bem elaborados e embasados para trazer o melhor ao meio ambiente e à própria sociedade.

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