Fiéis

Transgressora desde sempre, democrática, sinuosamente oferecida, dada por natureza, acolhedora, aberta a todos, humanos ou não,  a capela modernista de Oscar Niemeyer, oficialmente Igreja de São Francisco de Assis,  a popular Igrejinha da Pampulha, alvorece na companhia de uma família de capivaras – flagra este Viva Pampulha.

Seis roedores, precisamente. O casal e quatro filhotes.

O raiar do dia é cinza, assim como o futuro incerto da família capivariana que pasta tranquilamente no jardim que tem a grife do paisagista Roberto Burle Marx. Ainda rareiam os gatos pingados humanos que por ali passam ora turistando ora caminhando, trotando, correndo, patinando, pedalando.

Cabreiro como todo bom mineiro, o macho, antes indiferente, percebe que a manada de gente há de se formar em instantes. Sorrateiramente, ele toma o rumo da lagoa, como quem diz aos demais: sigam-me os bons! A fêmea, totalmente ‘no stress’, está esparramada na grama, contemplando o banquete matinal das crias.

Para os filhotes, uma santa ceia, a refeição da manhã de todo dia, abençoada por Deus e, porque não, por São Francisco de Assis. Como Capivara não tem religião, todo santo mais ajuda que atrapalha, ainda mais se este for o santo protetor dos animais.

Mas a reza pelos roedores mamíferos que vivem no habitat da Lagoa da Pampulha, cerca de 80 indivíduos no total, vai ter de ser braba, seja por parte dos simpatizantes ou dos mais engajados, como o Movimento Mineiro pelos Direitos dos Animais (MMDA).

Assim como o MMDA, o Conselho Municipal de Saúde de BH também é contrário à decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), em Brasília, que determinou a retirada imediata dos animais, ainda em outubro, muito em função da morte do garoto T.M.C., de 10 anos. Entenda aqui.

O fasto é que o prazo dado à prefeitura (PBH) para o cumprimento da decisão terminou no dia 24 de novembro, sob pena de multa de R$ 5 mil por dia. Sobre o assunto, a PBH informa que não foi multada porque já deu início aos procedimentos.

Família de capivaras marca presença na área da Igrejinha da Pampulha
Família de capivaras marca presença na área da Igrejinha da Pampulha

Autarquia municipal, a Fundação Zoo-Botânica (FZB) está trabalhando na captura passiva de um grupo de capivaras que vive próximo à área do Parque Ecológico da Pampulha. Esse processo consiste na atração dos animais, utilizando alimentos palatáveis e atrativos, como cana de açúcar madura. Até o momento, não houve captura.

Foi realizada a limpeza e a terraplenagem do local (Enseada do Água Funda), área localizada ao lado do Parque Ecológico da Pampulha que tem cerca de 3 mil metros quadrados e onde as capivaras serão mantidas. Cerca de 80 poderão ser abrigadas.  A prefeitura aguarda o escoamento da água, acumulada durante as chuvas dos últimos dias, para dar continuidade a outra fase dos trabalhos.

Nota da PBH

“A prefeitura esclarece que está trabalhando desde outubro para cumprir a ordem judicial expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ªRegião e resolver de maneira segura e legal a questão da presença das capivaras no entorno da Lagoa da Pampulha.

Seguindo as normas técnicas vigentes, serão construídos oito piquetes cercados, com tamanho adequado para a manutenção da população capturada – grupos e indivíduos satélites –, com tanques, disponibilidade de água, comedouros e sombreamento. A previsão é que as obras sejam concluídas em 50 dias, com um custo estimado de R$ 260 mil.

Também foi elaborado pela FZB um Termo de Referência para a elaboração do edital para a contratação de empresa para a captura das capivaras. No entanto, para adiantar o processo, enquanto as obras estiverem em execução na Enseada do Água Funda e a empresa responsável pela captura ainda não tiver sido contratada, a FZB segue trabalhando na captura passiva de um grupo de capivaras que vive próximo à área do Parque Ecológico da Pampulha.

Quando as capivaras pertencentes a esse grupo forem capturadas, permanecerão provisoriamente no parque, em local fora da área de visitação, até a transferência para os piquetes na Enseada do Água Funda.

É importante ressaltar a dificuldade de captura desses animais em períodos chuvosos, quando há grande oferta de alimento no ambiente.”

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