Qual o papel dos aguapés nos corpos d’água?

O aguapé é uma planta originária da Bacia Amazônica e que se espalhou pelo mundo devido à sua facilidade de crescer em diferentes ambientes de água doce. Em muitos locais, o aguapé virou uma verdadeira praga e modificou drasticamente todo o funcionamento do meio ambiente, prejudicando muitas espécies. Sendo uma planta, o aguapé precisa de nutrientes minerais para crescer e, assim, absorve esses elementos na água onde cresce.

Como um dos problemas da poluição por esgotos é justamente o enriquecimento das águas com esses nutrientes minerais, décadas atrás alguns pesquisadores consideraram que o aguapé poderia ser usado como um tipo de filtro. A idéia seria ter a água poluída passando pelas raízes dos aguapés e, após essas plantas absorverem os nutrientes, a água chegaria menos poluída aos lagos e reservatórios. As plantas podem ainda reter matéria orgânica e, com isso, diminuir a entrada de sedimentos na Lagoa. Isso diminuiria os gastos com desassoreamento.

Essa técnica é empregada e funciona bem em muitos países, sendo um ponto muito positivo do emprego dessas plantas. Porém, o problema é que essa estratégia só funciona adequadamente se houver um manejo muito correto dessa estrutura de filtro.

Se o manejo não for adequado, o aguapé pode facilmente “escapar” para o ambiente e se tornar uma praga, crescendo descontroladamente e prejudicando ainda mais o corpo d’água e até mesmo o ambiente terrestre do entorno. Isso foi o que aconteceu na Pampulha décadas atrás, quando a situação fugiu ao controle.

Ao que tudo indica, o aguapé foi introduzido na Pampulha propositalmente, com o intuito de melhorar a qualidade da água da Lagoa na década de 1970. Entretanto, não havia manejo adequado e a espécie propagou-se excessivamente, chegando a cobrir quase todo o espelho d’água na década de 1990.

Nesse período, o assoreamento foi intensificado e a grande quantidade de aguapés parece ter facilitado a reprodução de mosquitos e pernilongos na Lagoa. Por outro lado, sabendo trabalhar corretamente em ambientes nos quais o aguapé foi introduzido, é possível obter benefícios quanto à qualidade da água.

O ideal é ter a remoção periódica das plantas e sua disposição adequada em aterros sanitários ou, em muitos casos, todo o material pode ser transformado em adubo para manutenção de praças, canteiros de avenidas, jardins e outras áreas públicas.

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