Reciclando a cultura do automóvel

O Brasil é um dos exemplos no ranking mundial da reciclagem. De todas as latas de alumínio produzidas no país, 96,5% são recicladas. No caso das garrafas Pet, o índice chega a 50%. Latas de aço, 49%. Mas, quando o assunto são os automóveis, nosso país patina.

Segundo o Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa (Sindinesfa), apenas 1,5% dos carros que saem de circulação no Brasil são enviados para reciclagem. Na Europa e nos Estados Unidos, onde existe uma legislação específica sobre o tema, o índice de reciclagem de carros chega perto de 95%.

O pior: 90% do peso total de um automóvel é a soma de ligas metálicas e de plástico – os mesmos materiais que reciclamos como poucos países. Enquanto as embalagens vazias retornam à indústria na forma de matéria prima, os automóveis, que deveriam retornar para as indústrias que utilizam o aço como matéria prima, ou para as indústrias especializadas como as de plásticos e borracha, por exemplo, continuam rodando, afinal, quanto mais velho, menor o custo para manter. Os motivos são o mercado que existe para esses modelos velhos, não confunda com antigos ou clássicos e a falta de uma melhor regulamentação para o setor.

Etapas

A reciclagem ocorre em cinco etapas. Na primeira delas, os veículos são leiloados e recebem a autorização dos Detrans locais para o procedimento. Depois ocorre a descontaminação do produto a ser reciclado. É retirado o combustível, lubrificantes, líquido de arrefecimento, gases como o do ar condicionado.

Na terceira etapa avaliam-se quais peças podem ser aproveitadas como faróis e portas e ocorre a compactação. Na quarta etapa ocorre a trituração do material para ser utilizado como aço. Por fim, na quinta etapa, o aço é utilizado em vergalhões, arames e pregos.

Descontaminação é segunda etapa da reciclagem
Descontaminação é segunda etapa da reciclagem

Outro destino é voltar para a indústria automotiva que necessita de aços especiais para a fabricação de caixas de marchas, sistemas de direção e suspensão. A Indústria petrolífera, de construção naval e da construção civil também utilizam o aço dos automóveis reciclados.

Com a "Lei do Desmanche", roubos de veículos na Argentina foram reduzidos em 70%
Com a "Lei do Desmanche", roubos de veículos na Argentina foram reduzidos em 70%

Responsabilidade

Na União Europeia as próprias montadoras são responsáveis por recolher o veículo em fim de vida e arcar com os custos da reciclagem. Na vizinha Argentina o caminho foi diferente, mas igualmente resultou em benefícios. O país regularizou os desmanches devido ao aumento dos furtos.

Dessa forma, com a “Lei do Desmanche”, os ferros velhos ilegais foram fechados e criaram-se regras como a obrigatoriedade de etiquetas de identificação oficiais e notas fiscais para cada peça reaproveitada. Depois da medida o número de desmanches caiu de 3.000 para 500 e os roubos de veículos foram reduzidos em 70%.

Outro problema no Brasil é a ausência de empresas especializadas em reciclagem: fica a dica para os empreendedores presentes na internet. Se por um lado a instalação desse tipo de negócio demanda grandes investimentos, por outro lado, nos Estados Unidos, esse negócio movimenta 25 bilhões de dólares por ano e gera 46 mil empregos.

O Brasil tem potencial para crescer no mercado de reciclagem de automóveis.

É um excelente negócio e a natureza agradece.

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