Reis da Pampulha

No circuito da boa forma, urubu é rei e esbanja saúde. Após sediar nesse domingo (4) uma corrida internacional com 15 mil participantes e exibição para todo o país, a Pampulha do cenário modernista de Oscar Niemeyer tornou-se nesta terça-feira (6) o reino das aves que vivem do lixo e de carniça. Com as últimas noites chuvosas, o volume de resíduos na Lagoa e na margem aumentou exponencialmente, fazendo do local um autêntico lixão.

“Nossa, que mau cheiro”, diz, espantada, uma corredora que passa pela pista rumo à Igrejinha.

A reportagem do Viva Pampulha percorreu o trecho entre e a Igrejinha e o Parque Ecológico, de aproximadamente dois quilômetros e meio. Perplexos, os praticantes de caminhada e corrida assistiam à festa dos urubus em meio à poluição.

“Este é o patrimônio da humanidade?”, indagou um corredor, ironicamente, ao presenciar a equipe do portal fazendo registro de imagens.

Ele se referia ao título de patrimônio cultural da humanidade conferido pela Unesco ao conjunto moderno da Pampulha, formado pela Igrejinha, o Museu de Arte,  a Casa do Baile e a sede antiga do Iate Clube.

Variedade

Ao longo do ano, os garis aquáticos da empresa terceirizada que presta serviço à prefeitura retiram, em média, de quatro a seis toneladas de lixo diariamente da lagoa. Em épocas de chuva, porém, este número é pelo menos de quatro a cinco vezes maior, como já explicado em matérias como Lixo sem fim e Tapete de lixo.

As garrafas e outros materiais plásticos predominam em meio aos resíduos que chegam à Lagoa por meio de córregos como Ressaca e Sarandi. Mas encontra-se de tudo. De bolas de futebol a carrinho de bebê, passando por capacetes, sofás, TVs e outros objetos.

Um retrato da falta de educação ambiental e da ineficiência da gestão pública.

Triste Pampulha.

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