S.O.S. Educação Física

Vivemos um momento de turbulência na área político-educacional. Agora com a bombástica notícia de que a Educação Física, assim como Filosofia, Sociologia e Artes, não serão mais incorporadas como matérias obrigatórias no currículo do ensino médio.

Sempre entendi a Educação Física como uma disciplina fundamental na formação educacional integral do aluno. Como professor de Educação Física não posso aqui me calar e ficar de braços atados esperando que o “destino” tome conta da ausência de uma disciplina que fundamenta–se na corporeidade, na sociabilidade e na afetividade.

Historicamente, a Educação Física sempre esteve atrelada ao contexto político social que o Brasil se inseria. Do militarismo às mudanças democráticas dos anos 80, o conteúdo pedagógico da disciplina se espelhou nas tendências, valores e cultura que a sociedade respirava. Hoje, como antes na história, os valores impregnados na sociedade interferem diretamente no conteúdo da Educação Física.

O retrato do perfil e conceitos de atividade física e esportiva se restringem à estética e performance. A construção do corpo, a corporeidade do brasileiro se concretizam em conteúdos e práticas pedagógicas que valorizam sobretudo a eficiência, a técnica e a produtividade. É assim o esporte de rendimento que invade as mídias e redes sociais.

Mas a escola, o que tem a ver com tudo isso? A Educação Física absorve significativamente estes valores e, ao entrar nas escolas, estes valores e conceitos definem um jeito de ensinar e aprender. A didática de ensino reproduz o sistema e o entendimento que se faz das atividades físicas e esportes.

É notório o ensino da Educação Física nas escolas enfatizando o treinamento e aprendizado de forma mecânica e analítica. Claro, existem exceções, há escolas que valorizam o ensino de forma criativa, valorizando o aprendizado através dos jogos, de formas intuitiva e brincante.

Mas não há como como contestar, o ensino da Educação Física está chato e sem graça. Os estudantes não se interessam em aprender seus conteúdos. As outras disciplinas também não encantam, mas são consideradas necessárias para o futuro estudantil e profissional.

A Educação Física também é de suma importância na formação deste individuo – como instrumento propulsor da coletividade, cooperação, responsabilidade, cuidado com o corpo, além de servir como um momento de descontração em meio aos estudos – e, por isto, torna-se inadmissível sua exclusão da grade escolar. Não há como pensar em retirar das escolas o momento mágico de interação, de alegria e socialização.

É o caminho mais simples e menos trabalhoso arrancar das escolas a disciplina que tradicionalmente sempre priorizou a alegria e bem estar dos alunos. Ao contrário, elas estarão livres para estudar mais, se preparar para o vestibular, não sujarão mais os uniformes, o silêncio imperará na escola e por aí vai uma série de justificativas.

Teremos em breve uma seleta categoria de estudantes entediados em seu mundo unitário e vazio, triste e sem amizades. Teremos em breve, uma escola se preparando para o óbvio, para a competição do vestibular e mais nada. Teremos em breve, um ensino voltado apenas para o mercado de trabalho e nada mais.

A cultura do lazer, da atividade física, da ludicidade, das artes estarão ausentes do seio escolar. O mundo se tornará mais chato, intolerante e com relações interpessoais cada vez mais escassas.

É preciso com urgência reverter este quadro, impedir que esta mudança o quanto antes faça da escola um lugar chato, retirando do aluno o direito de brincar e de vivenciar o aprendizado lúdico. É preciso sim, discutir os conteúdos dessas disciplinas e reativa-las o quanto antes, recolocando-as como fundamentais e obrigatórias para a formação integral do aluno.

S.O.S. EDUCAÇÃO FÍSICA… Não deixem ela morrer!!!

468 ad