Ser ou não ser (um atleta profissional)… Eis a questão!

Iniciar uma carreira, qualquer que seja ela, não é fácil. Primeiramente temos que fazer uma escolha, depois enfrentar o processo de formação e amadurecimento profissional. E, tudo isto, antes de nos tornarmos adultos. No caso do esporte, há um agravante.

O processo começa ainda mais cedo, quando ainda não existe a vivência e a experiência de vida necessárias para ingressar num projeto tão sério e importante. Este é um dos motivos pelo quais a probabilidade de se alcançar o sucesso diminui bastante.

Mas, assim é o processo embrionário do atleta e, sob estas condições devemos caminhar. A escolha e o processo de amadurecimento acontecem num período muito prematuro de vida, o que requer apoio incondicional.

Decidir virar um atleta, seja qual for o esporte, necessita fundamentalmente da presença dos pais e/ou responsáveis. Somente com a presença de um “porto seguro”, a formação e especialização esportiva podem alcançar seu ápice com sucesso. Se pegarmos atletas de ponta, teremos estes exemplos claramente: “Vai Thiago!”, o grito da mãe do nadador Thiago Pereira;  o apoio da mãe e do treinador do Guga; Assis, o irmão do Ronaldinho Gaúcho; o pai do Neymar, entre outros…

O processo de formação do atleta inicia-se por volta do 8/9 anos de idade, sendo que as etapas de desenvolvimento desportiva levam, em média, 10 a 12 anos.
Assim, lá pelo seus 18/20 anos de idade, o atleta já precisa apresentar condições básicas físicas e psicológicas para ingressar-se no mundo profissional.

basquete

Claro, existem casos excepcionais, nos quais se inicia este processo mais tardiamente ou, numa outra extremidade, quando se desponta prematuramente para a carreira desportiva. Mas, em linhas gerais, a grande maioria dos atletas passa por um processo muito parecido quanto ao seu andamento e amadurecimento cronológico.

Aqui no Brasil, a coisa é mais complicada! Como não há uma compatibilidade entre o “terreno” do esporte e o “terreno” de vida, sobretudo com o processo educacional, muito se perde neste caminho! Ou o atleta para de estudar, ou muitas vezes abandona o sonho de se tornar um profissional da área esportiva.

Talentos são desperdiçados aos montes! O desamparo é enorme, e, desta forma, não conseguimos formar no Brasil um volume de atletas compatíveis com o talento e aptidão esportiva que possuímos. Mas isto é assunto para uma outra coluna. Aqui, preciso enfatizar a importância de um apoio na formação de nossos craques. É preciso conscientizar os pais destes meninos e meninas a estarem sempre presentes, na alegria e na dor, nas vitórias e nas derrotas.

Diante da enorme dificuldade de se ter sucesso nesta empreitada é melhor que o acompanhamento seja forte o suficiente para que não haja sequelas negativas na vida destes bravos guerreiros.

Para quem faz esporte pensando em viver dele, a presença responsável de um adulto se faz extremamente necessária para que chegue com sucesso no seu sonho tão almejado. E, caso a profissionalização não ocorra, que estes momentos fiquem guardados para sempre na memória e no coração de nossos pequenos atletas. Momentos de saúde, de interação social, coletividade, empenho, dedicação tão úteis e fundamentais para uma vida adulta sadia e feliz.

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