Tapete de lixo

Composto por garrafas diversas e uma infinidade de materiais plásticos e de alumínio, além de bolas de futebol, capacetes, animais mortos e outras variedades de resíduos, o tapete de lixo carreado pela equipe de garis aquáticos esconde uma ampla faixa da margem da Lagoa da Pampulha. A cena é impressionante. Menos para quem já está habituado a vê-la rotineiramente.

“Você não viu nada. Quando chega a época de chuva fica bem pior”, avisa Hamilton Latorre, engenheiro da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) responsável por gerenciar a manutenção da orla da Pampulha.

Latorre trabalha há mais de dez anos na função e convive com a realidade que é uma consequência da falta de educação ambiental da população.

O local do enorme “tapete de lixo” em questão é a chamada Casa Verde. Situada em uma ponta do Parque Ecológico, a casa é a base dos garis da água, cuja rotina de limpeza foi contada na reportagem  Lixo sem fim , do Viva Pampulha.

Nessa quinta-feira (29), a reportagem esteve novamente na Casa Verde e se deparou com a incrível cena.

“Esse lixo todo é o resultado de um dia de chuva apenas”, conta Latorre.

De acordo com ele, nos períodos mais chuvosos e críticos, notadamente a partir dos últimos meses do ano, o volume de lixo que chega à Lagoa aumenta quatro vezes, em média:

“Normalmente, a gente retira de quatro a cinco toneladas de lixo por dia. Mas em época de chuva, esse número sobe para 20 toneladas”.

A maior parte dessa chamada poluição difusa chega à Lagoa por meio dos córregos Ressaca e Sarandi, que, juntos, são responsáveis por quase 80% do volume da água que desagua nela. Com quase 100 quilômetros quadrados e 500 mil habitantes, a Bacia da Pampulha tem 40 córregos. Oito deles desaguam na Lagoa.

Um mecanismo importante para evitar que esses resíduos alcancem áreas mais visitadas da Lagoa, como as enseadas da Igrejinha e do Museu de Arte, é a cortina de sedimentos, noticiada em primeira mão pelo Viva Pampulha na reportagem Barreira Inglesa.

Corpo de homem é encontrado junto à margem, perto do MAP
Corpo de homem é encontrado junto à margem, perto do MAP

Materiais plásticos e lixos maiores, como sofás e televisores, são comuns, bem como  animais mortos. Vez por outra, os garis encontram cadáveres humanos. Coincidentemente, foi o que ocorreu justamente nessa nova visita da reportagem à Casa Verde.

Enquanto fazíamos imagens do lixo, fomos avisados por Hamilton que o corpo de um homem havia sido encontrado junto à margem, mas imediações do Museu de Arte da Pampulha. Em média, são oito cadáveres por ano.

Confira a galeria de fotos do “tapete de lixo”.

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