Tributo à Chape

O nome de Giovani dos Santos já se tornou sinônimo de Volta Internacional da Pampulha. Aos 35 anos, o mineiro de Natércia (a 387Km de Belo Horizonte, no sul/sudoeste de Minas) ostenta o posto de maior vencedor da prova. Ele ganhou as últimas quatro edições, de 2012 a 2015. Na vitória do ano passado, Giovani cravou 52 minutos e 32 segundos, chegando bem perto do recorde estabelecido em 2005 pelo queniano Lawrence Kiprotich, de 52’23. Otimista e dizendo-se bem preparado, o corredor mineiro quer o penta para coroar ainda mais a história dele na prova e também para ganhar embalo rumo à São Silvestre, a corrida tradicional da virada de ano, em São Paulo. Ao Viva Pampulha, Giovani antecipa que vai correr a 18ª edição da corrida em BH com uma fita preta e verde, em homenagem às vítimas do acidente aéreo da Chapecoense. “Somos atletas, sentimos o baque. O mundo ficou abalado”, disse ele. Confira a entrevista.

Viva Pampulha: Como está a sua expectativa na busca pelo penta? Sente-se bem preparado e confiante para vencer?

Giovani dos Santos: A Volta da Pampulha deste ano vai ser para mim como uma boa base para a São Silvestre. Estou focado e procurando fazer o melhor para vencer novamente aqui. E vou chegar depois para vencer a São Silvestre também, onde já fiz cinco pódios, mas nunca ganhei.

Quais são os seus maiores adversários nesta Volta da Pampulha? Quem pode destronar você?
Desde a partida, qualquer atleta da elite tem condição de vencer. Todos são favoritos. Claro que há os quenianos e também outros brasileiros. Já até encontrei com uns quenianos aqui no hotel, mas não sei como eles estão, se estão bem preparados. Sei apenas que eu estou muito bem preparado para enfrentar qualquer queniano.

Giovani dos Santos se sente em casa na Pampulha e admira a Igrejinha: "sou muito católico"
Giovani dos Santos se sente em casa na Pampulha e admira a Igrejinha: "sou muito católico"

Nas quatro vitórias anteriores, o melhor tempo que fez foi na prova do ano passado, quando correu em 52’32. Acredita que pode baixar esta marca e até bater o recorde de Lawrence Kiprotich (QUE), que é de 52’23?
Isso vai depender do nível da prova. Se ela se tornar mais complicada e forte, dá até para pensar em recorde. Mas se for uma prova tranquila, vou correr para vencer, mas sem me desgastar e pensar em recorde, porque preciso me poupar para a São Silvestre.

Entre as quatro vitórias anteriores, alguma foi mais especial? 
A primeira, sem dúvida. Foi ela que abriu caminho para as minhas três outras vitórias. Para mim, a primeira ficou na história.

Antes da largada vai haver um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente aéreo da Chapecoense. Você pretende fazer alguma homenagem à parte?
Eu vou correr em luto. Já estou procurando uma fita preta e verde. Quero ver se arrumo para correr com ela, em homenagem às vítimas. Somos atletas, né. Sentimos o baque. O que aconteceu foi uma coisa muito complicada, que abalou todo o mundo. Espero ganhar a prova para a homenagem ficar completa. Quero homenagear as vítimas e também as famílias.

O que a Volta da Pampulha significa para você?
Muita coisa. É uma prova de nível internacional, importante e forte. E foi aqui que venci quatro vezes, né? Por isso significa muito. É especial porque é um feito meu que está na história. Ninguém mais conseguiu ainda.

O que mais chama a sua atenção na Lagoa da Pampulha e no entorno dela? O que acha mais bonito?
Aí você me pegou (risos). Geralmente, eu passo correndo, né, então não consegui reparar ainda (risos). Difícil saber onde é mais bonito…A Igrejinha é chamativa, tem muitos turistas visitando lá. Até porque é uma igreja, e isso para mim tem um significado forte. Sou religioso, muito católico.

Qual o trecho ou quais os trechos preferidos do percurso?
Não tem um trecho assim em especial. O percurso todo é muito bom. Não tem nada complicado, não.

Após a corrida vai ser possível curtir um pouco da culinária mineira? Qual é o seu prato preferido?
Sempre tem uma comemoração com a família, né. A gente se reúne para comer. Meu prato preferido é arroz, feijão, salada…. Tem de ter tomate. E uma carne de porco, claro. É a que gosto mais. Mas se tiver peixe ou frango, está bom também.

468 ad