Troféu Nasalino para os melhores de 2017

Não sou o Faustão nem o Silvio Santos e, muito menos ainda, embora velho e guerreiro, poderia ser o Chacrinha. De qualquer maneira, atrevo-me a conceder a alguns famosos (da política) o troféu Nasalino do Ano – nada a ver, me antecipo, com meus amigos que foram, como eu, abençoados com avantajadas exposições nasais.

Começo pela categoria imprensa, concedendo com muita honra o troféu Nasalino para o jornalista Reinaldo Azevedo, que, do alto de sua inquestionável sabedoria, (doutrinária e de vida), vai se tornando cada dia vez mais no maior jurista brasileiro.

Aproveitando o gancho, no âmbito do Judiciário, o troféu Nasalino vai tranquilamente para Gilmar Mendes, ministro do STF e, nas horas vagas, sócio de uma empresa educacional em Brasília, que não só falou, mas na verdade gritou muito fora dos autos dos processos de competência daquela que deveria ser uma Corte constitucional.

No campo da segurança pública, sempre muito trágico, o troféu Nasalino merece ser entregue ao PCC, organização criminosa que a Rede Globo se nega a dizer o nome, mas que espera contar até o final deste ano com mais de 40 mil afiliados, tudo isso com o conhecimento das autoridades da repressão estatal.

Como comediante (político) do ano, o troféu Nasalino convém ser entregue ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) – quem, ao melhor estilo collorniano de 1989, divertiu-me muito em 2017, mas que espero não gargalhar nada em 2018, ante o sentimento (difuso) de intolerância atualmente difundido, em especial, na tal classe média urbana.

palhaço

A fidelidade é um dom, para o bem ou para o mal, que sempre merece aplausos, razão pela qual convido o deputado federal Carlos Marum (PMDB-MS) a receber o troféu Nasalino por sua atuação, recentemente premiada, como cão de guarda do coitado Chefe da República.

Virando a moeda, a infidelidade era coisa de frouxo, de medroso ou de covarde, todavia em tempos de Lava Jato virou uma solução pró-republicana, sendo lógico, portanto, enviar o troféu Nasalino para os irmãos Batista lá do grupo JBS.

Por falar em Laja Jato, sem dúvida merece o troféu Nasalino o ex-PGR Rodrigo Janot que, apesar da ânsia punitiva demonstrada, acabou sendo flagrado tomando umas num boteco de Brasília, com um advogado, outra vez, dos tais irmãos Batista.

Na categoria de defensores de direitos humanos, o troféu Nasalino deve ser dividido pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, diante do exemplar compromisso de ambas as casas legislativas com o direito ao trabalho, consagrado tanto na Constituição Federal quanto na lei de execução penal em favor, ao menos até o fim de 2018, de um deputado federal e de um senador condenados por crimes diversos pelo STF.

Esgotada minha imaginação para outras categorias, finalizo com a esfera da política tradicional, aqui me parece também com certa unanimidade, concedendo o troféu Nasalino para o senador Aécio Neves, agora sim um autêntico representante do grupo dos narigudos, que em público se comportava como um bom moço, mas na intimidade agia e falava como qualquer playboy da elite carioca, daí porque, talvez, nem cirurgia plástica seja capaz de consertar a preponderância pinoquiana do neto de Tancredo.

Que venha 2018!

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