Vamos falar de osteoporose?

Nesta semana vou falar desse assunto que tanto interessa às mulheres, afinal elas são a classe mais acometida por essa patologia. Recentemente, pelo Consenso de Osteoporose em 2001, foi definida como a “epidemia do Século 21”, pois a população geral está ficando mais velha e cada vez mais a longevidade vai aumentando.

Nos Estados Unidos, essa patologia afeta cerca de dez milhões de pessoas! A estatística fala que uma a cada três mulheres, acima de 65 anos, tem osteoporose. E um terço das mulheres acima dos 50 anos tem osteopenia. Uma pessoa com osteoporose, que cai da própria altura, pode ter fraturas graves.

Então vamos às definições: osteoporose é a doença do esqueleto caracterizada pelo comprometimento da resistência e da qualidade óssea, predispondo a aumento do risco de fraturas. Osteopenia é a diminuição considerável de cálcio no osso. É como se fosse uma pré-osteoporose.

Os fatores de risco para osteoporose e osteopenia são: o gênero feminino, as etnias amarela e branca, a idade mais avançada, menopausa precoce, a hereditariedade (história familiar), erros nutricionais (baixa ingestão de cálcio, baixa ingestão de vitamina D3 ou pegar pouco sol), maus hábitos (ingestão exagerada de álcool e tabaco), sedentarismo, certas medicações (glicocorticoides, anticonvulsivantes) e a artrite reumatoide.

O Ministério da Saúde fala que nove em cada 10 mulheres brasileiras não consomem a quantidade adequada de cálcio para manter uma boa saúde dos ossos, e 75% dos diagnósticos são feitos apenas quando ocorre a primeira fratura!

Nós, ortopedistas, como já somos treinados, ao olhar para uma radiografia sabemos dizer se aquele osso está fora do normal, porém a densitometria óssea é o exame de escolha para o diagnóstico. Esse exame avalia os ossos da região lombar e da parte mais alta do fêmur, dando um cálculo chamado desvio padrão, comparando os resultados com um banco de dados, com a média relacionada à etnia, idade, peso e altura do paciente que está fazendo.

Sem entrar em partes técnicas e resumindo bem, quando a perda óssea é de -1 até -2,5 de desvio padrão, é osteopenia. Acima de -2,5 de desvio padrão, é osteoporose. Ou seja, até -1, significa que o osso é normal. Vale lembra que esse exame deve ser feito em pessoas com mais de 65 anos, antes disso apenas em pessoas com fatores de riscos (já descritos) ou alterações radiográficas.

Uma pessoa saudável, com menos de 65 anos, sem fatores de risco, não precisa tomar radiação à toa! Mulheres com menopausa precoce devem fazer o exame.
O tratamento da osteoporose tem várias abordagens:

– Atividades físicas: estudos comparando idosos que praticam atividades físicas com idosos sedentários, mostrou menores incidências de fraturas nos ativos;

-Suplementação de cálcio: as maiores fontes são o leite e seus derivados. Também são muito ricos a sardinha, o feijão e os vegetais de folhas escuras. Procure seu médico para ajustar a dose a ser tomada;

-Vitamina D: ajuda na absorção de cálcio pelo intestino e pelos rins, além de funções metabólicas e nos ossos. Pode ser obtida tomando sol também (através dos raios UVB do sol);

– Esteróides anabolizantes e hormônios do crescimento: são pouco usados, pois têm muitos efeitos colaterais. Só devem ser usados com indicação e acompanhamento médico;

– Terapias de reposição hormonal: servem para prevenção da osteoporose, após menopausa.

– Bifosfonatos: aumentam a reabsorção óssea do cálcio. Atualmente, são os mais utilizados, justo com a reposição de cálcio.

Concluindo, o mais importante é manter hábitos saudáveis; exercícios físicos e sol sempre que possível! Se você tem alguns dos fatores de risco, está na menopausa, ou tem mais de 65 anos, procure seu médico para fazer exames. As fraturas como consequência da osteoporose são graves e deixam sequelas.

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